Em entrevista à CNN Brasil na manhã desta quinta-feira (9/9), o cientista político da Arko Advice, Lucas de Aragão, avaliou que o crescimento de decisões monocráticas emitidas pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), relacionadas a temas que envolvem diretamente os outros poderes, como prisão de parlamentares, geram desconforto no meio político. Mas destaca que o atrito pode ser resolvido sem rupturas.

“Essas questões, que são levantadas pelo mundo político, têm que ser resolvidas dentro da institucionalidade. O Congresso Nacional poderia, por exemplo, fazer uma proposta de emenda à constituição (PEC), mudando a forma como ministros do STF são escolhidos. Fazendo uma rotação de escolha entre Executivo e Legislativo, o mandato menor, de 8, 10 anos, colocando alguns dispositivos que seriam discutidos. A solução é sempre pela política”, declarou.

Caminhoneiros

Aragão também avaliou que a paralisação de caminhoneiros iniciada após o 7 de setembro não deve ter o mesmo impacto da greve feita em 2018, durante o governo Temer, mas deve colaborar para agravar a tensão política no país.

“Uma paralisação dessa, por mais que ainda não seja sistêmica, num país que tá com os nervos à flor da pele, qualquer coisa que respinga é um motivo de imensa preocupação”, disse.

Uma das dificuldades que impedem uma manifestação mais robusta é o conflito de lideranças do movimento. Quando o presidente Jair Bolsonaro enviou um áudio pedindo para que os bloqueios fossem retirados, caminhoneiros colocaram em dúvida o material.

No áudio, confirmado pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, Bolsonaro afirma que, se continuar, a greve pode atrapalhar a economia e distribuição de insumos pelo país, o que prejudica o governo. O conteúdo foi questionado com o argumento que a paralisação vinha sendo organizada há cerca de um mês em concordância com as vontades do presidente.

O analista da Arko ainda avalia a resposta das autoridades ao discurso de Bolsonaro nos protestos do 7 de setembro. Segundo Aragão, por mais que os discursos de Arthur Lira (PP-AL), Rodrigo Pacheco (DEM-RO) e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), demonstrem incômodo, não haverá consequências práticas.

Assista a entrevista completa:


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