Foto: Carlos Moura/STF

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, afirmou nesta quinta-feira (9/9) que a democracia vive um momento delicado e não tem lugar para quem pretenda destruí-la.

A declaração foi dada no discurso de abertura da sessão do TSE. Barroso rebateu, ponto a ponto, o discurso do presidente Jair Bolsonaro durante manifestações antidemocráticas do 7 de Setembro.

“O Presidente da República repetiu, incessantemente, que teria havido fraude na eleição na qual se elegeu. Disse eu, então, à época, que ele tinha o dever moral de apresentar as provas. Não apresentou. Continuou a repetir a acusação falsa e prometeu apresentar as provas”, afirmou Barroso.

“É tudo retórica vazia. Hoje em dia, salvo os fanáticos (que são cegos pelo radicalismo) e os mercenários (que são cegos pela monetização da mentira), todas as pessoas de bem sabem que não houve fraude e quem é o farsante nessa história.”

O ministro comentou sobre o momento que o país vive. “A democracia tem lugar para conservadores, liberais e progressistas. O que nos une na diferença é o respeito à Constituição, aos valores comuns que compartilhamos e que estão nela inscritos. A democracia só não tem lugar para quem pretenda destruí-la”.

Segundo ele, “começa a ficar cansativo para o Brasil ter que repetidamente desmentir falsidades, para que não sejamos dominados pela pós-verdade, pelos fatos alternativos, para que a repetição da mentira não crie a impressão de que ela é verdade.” Em resposta direta a Bolsonaro, Barroso afirmou que “insulto não é argumento, ofensa não é coragem”.

Em seu discurso na Avenida Paulista, Bolsonaro afirmou que não vai mais cumprir as decisões do ministro do STF, Alexandre de Moraes, e voltou a atacar o sistema eleitoral brasileiro, governadores e prefeitos que tomaram medidas de combate ao coronavírus.

Na quarta (8/9), o presidente do STF, Luiz Fux, fez um pronunciamento em que afirmou que “ninguém fechará” a Corte e que o desprezo a decisões judiciais por parte de chefe de qualquer poder configura crime de responsabilidade.


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