Falta de semicondutores preocupa Anfavea
Foto: EBC/Arquivo

A atual falta de semicondutores para a produção de veículos no país preocupa a Anfavea. Segundo dados divulgados pela associação nesta sexta-feira (6), o Brasil exportou cerca de 33,5 mil autoveículos (carros) em junho. Um mês depois, entretanto, conseguiu exportar 23,8 mil carros; uma redução de 29,1% em julho de 2021. De acordo com o presidente da organização, Luiz Carlos Moraes, o dado é “preocupante”.

“O Brasil está retomando fortemente sua economia; a vacinação está avançada, por exemplo. Nossa economia está apresentando bons índices. A questão, todavia, pelo menos no curto prazo, para a Anfavea, é a dos semicondutores. Há uma fila de espera para o setor. O que precisamos fazer é arrumar alguma maneira de responder a essa demanda”, afirmou Moraes.

Em decorrência da escassez, a Anfavea estima que entre 100 mil e 120 mil automóveis deixaram de ser produzidos no Brasil no primeiro semestre de 2021.

Problema antigo

No começo do ano, aliado às dificuldades geradas pela pandemia, a falta de semicondutores levou ao fechamento temporário de, pelo menos, 14 montadoras de veículos, de acordo com a consultoria americana Auto Forecast Solutions (AFS).

O problema se agravou com a dependência cada vez maior dos automóveis de sistemas eletrônicos, que já representam cerca de 40% do custo de um veículo, de acordo com dados da consultoria Deloitte divulgados pela General Motors. Hoje, além das telas touch já comuns nos carros, componentes eletrônicos são responsáveis por controlar sistemas de airbags, injeção eletrônica, transmissão automática e até sensores para leitura do nível e vida útil do óleo do motor.

De acordo com a Chevrolet, o Novo Onix chega a ter aproximadamente 1.000 semicondutores e sistemas integrados espalhados por quase 20 módulos, até o dobro da quantidade encontrada em outros modelos da mesma categoria.

“Não vamos deixar de oferecer aquilo que nossos clientes mais valorizam em um automóvel nem focar em versões básicas em razão da escassez momentânea de suprimentos, mesmo que isso impacte temporariamente nossa produção”, informa Carlos Zarlenga, presidente da GM América do Sul.

Indústria automotiva: Escassez mundial

Não é só no Brasil que a indústria tem sido afetada pela falta de chips semicondutores. Com o crescimento da venda de computadores, celulares e outros eletrônicos na pandemia, e a falta de peças, até mesmo o suprimento de Iphones e Macbooks caiu.

De acordo com o site de notícias americano NPR,o diretor financeiro da Apple, Luca Maestri, estimou a investidores que até agosto as vendas desses produtos devem cair, reduzindo a receita da gigante da tecnologia em até US$ 4 bilhões.


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