Porque os políticos não querem o voto impresso? 
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na noite de quinta-feira (29), o presidente Jair Bolsonaro transformou sua tradicional live nas redes sociais em um evento em que prometia mostrar as provas de que as eleições de 2014 e 2018 teriam sido fraudadas. Mas deu um passo atrás: em vez de mostrar provas, mudou o discurso e disse que mostraria “indícios” de fraude. “Não tem como se comprovar que as eleições foram ou não foram fraudadas”, alegou.

Os tais indícios eram vídeos de eleitores que relataram mau funcionamento das urnas e supostas inconsistências na evolução da contabilização dos votos, para citar dois exemplos.

Bolsonaro é defensor do voto impresso, cuja implantação é analisada pela Câmara dos deputados mas enfrenta dificuldades para avançar.

Na live, o presidente também levantou dúvidas quanto às motivações do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, em articular contra o voto impresso e questionou também a legitimidade do tribunal para fazer a contagem de votos. “É justo quem tirou Lula da cadeia, quem o tornou elegível, ser o mesmo que vai contar os votos em uma sala secreta no TSE? Cadê a contagem pública dos votos? Eu quero eleições no ano que vem. Vamos realizar eleições no ano que vem, mas eleições limpas, democráticas e sinceras”, disse.

Bolsonaro é defensor do voto impresso, cuja implantação é analisada pela Câmara dos deputados mas enfrenta dificuldades para avançar.

Enquanto Bolsonaro mostrava os vídeos e imagens retirados da internet, o TSE não deixou barato. Colocou para rodar o Programa de Enfrentamento à Desinformação nas Eleições e divulgou em tempo real a checagem das suspeitas levantadas por Bolsonaro. Como os vídeos e imagens mostrados eram antigos, já tinham sido checados anteriormente pelo tribunal ou por agências de checagem.

Inversões na colocação

Um dos “indícios” mostrados por Bolsonaro são supostas mudanças na colocação de candidatos durante a apuração de votos em 2014. No vídeo exibido, uma pessoa mostra uma planilha com inversões sistemáticas entre os dois concorrentes.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou uma resposta ao conteúdo. Disse que desconhece a origem das informações apresentadas, uma vez que não correspondem aos dados oficiais, colhidos minuto a minuto, da totalização dos votos computados pela Justiça Eleitoral no segundo turno das eleições presidenciais de 2014.

Leia a checagem completa.

Urnas em Caxias (MA)

Bolsonaro também exibiu um vídeo de uma reportagem de 2004, em que moradores da cidade de Caxias, no Maranhão, relatam que seus votos não foram computados na contagem final.

De acordo com o TSE, os dois técnicos que falam na reportagem foram contratados pela coligação Melhor para Caxias, que perdeu as eleições. O tribunal também destaca que a Polícia Federal periciou as urnas em que teria havido fraude. O laudo técnico produzido pela corporação concluiu que não foram identificados sinais de violação física dos lacres que envolvem os aparelhos.

Leia a checagem completa.

Outras checagens

O TSE também desmente a informação de que apenas três países usam o voto eletrônico. A informação que circula nas redes diz que além do Brasil, apenas Venezuela e Cuba usariam o sistema. Mas, de acordo com levantamento do Instituto para Democracia e Assistência Eleitoral Internacional (Idea), o voto eletrônico é adotado por pelo menos 46 nações.

Outra informação rebatida é de que a contagem de votos seria feita de forma secreta por servidores do TSE. O tribunal afirma que a apuração dos resultados é feita automaticamente pela urna eletrônica logo após o encerramento da votação e que a totalização é transmitida por meio de dados criptografados e a soma é feita por um supercomputador localizado fisicamente no tribunal.