Convocado para depor à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, o ex-secretário de Saúde do Estado do Amazonas, Marcellus Campêlo, disse ter ligado, em 7 de janeiro, ao então ministro da saúde Eduardo Pazuello para solicitar apoio logístico no transporte de oxigênio de Belém para Manaus, a pedido da empresa White Martins.

Segundo o ex-secretário, Pazuello orientou que o governo do estado procurasse o Comando Militar da Amazônia para solicitar esse auxílio.

O estado do Amazonas entrou em colapso no início de 2021, com falta de leitos e oxigênio medicinal. De acordo com Marcellus, uma série de ofícios sobre o problema de desabastecimento também foram enviados pelo governo do Amazonas, mas não houve resposta por parte do Ministério da Saúde.

“Não tenho conhecimento se houve resposta, acredito que não. A programação da White Martins estava para dia 9, como não houve confirmação, enviamos ofício ao Ministério da Saúde via comitê de crise, nos dias 9, 11, 12 e 13 de janeiro”, afirmou Campêlo.

A PF apura desvio de dinheiro do combate à pandemia

Na quarta fase da Operação Sangria, a Polícia Federal apura supostas irregularidades cometidas durante o período em que Marcellus Campêlo esteve à frente da secretaria de saúde do Amazonas.

Campêlo afirma que não procedem as acusações e que foi alvo de prisão temporária fundamentada em três acusações: de ter promovido contratações de forma fraudulenta no hospital Nilton Lins, em Manaus; irregularidades na contratação de empresas que prestariam serviços ao hospital; e de que a unidade hospitalar seria inadequada para tratamento de pacientes com covid-19.

Sobre as acusações, o ex-secretário argumentou que não houve contratação, apenas uma requisição administrativa e nenhum pagamento foi efetuado, que nenhuma das três empresas citadas no processo foi contratada e que foram feitas as readequações necessárias na unidade hospitalar para tratar pacientes com a doença.