Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Em momento algum o presidente da República me orientou, me encaminhou ou me deu ordem para fazer algo diferente do que eu já estava fazendo”, afirmou o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19, nesta quarta-feira (19). Ele garantiu que as ações tomadas durante o período que esteve no comando da pasta nunca foram contrapostas pelo presidente.

No entanto, em outubro de 2020, Pazuello anunciou protocolo de intenção de compra de 46 milhões de doses da vacina CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan. No dia seguinte, o presidente Jair Bolsonaro declarou que o governo federal não iria adquirir vacina da China e disse que já havia mandado Pazuello cancelar protocolo de compra. “O presidente sou eu, não abro mão da minha autoridade. Até porque estaria comprando uma vacina que ninguém está interessado por ela, a não ser nós”, afirmou.

Questionado pelo relator da CPI, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) sobre os motivos de não ter respondido as ofertas de compra do imunizante da Pfizer, Pazuello disse que deu inúmeras respostas à farmacêutica e que as negociações demoraram por discordâncias quanto a cláusulas do contrato, questões logísticas, entre outros pontos. “A resposta à Pfizer é uma negociação. Eu estou falando de dezenas de reuniões e discussões. A resposta sempre foi: “sim, queremos comprar”, mas não posso comprar se você não flexibilizar tal medida, se não auxiliar na logística.”

Além de cobrar U$ 10 pela dose, sendo que as negociações com outras farmacêuticas estavam em U$ 3, o ex-ministro explicou que a tecnologia da vacina não era conhecida no Brasil e havia “cláusulas assustadoras” no contrato. “Nos colocaram cinco cláusulas complicadíssimas, ativos brasileiros no exterior, isenção completa da responsabilidade por efeitos colaterais, referência do fórum para Nova York, pagamento adiantado, assinatura do presidente da república em contrato, não existirem multas quanto ao atraso de entrega. Para ouvir isso a primeira vez, eu achei muito estranho”, disse Pazuello.