Vacina
Foto: Osnei Restio/Prefeitura de Nova Odessa

Com a aprovação no Senado do projeto de lei que autoriza a produção de vacinas contra a covid-19 por fábricas de imunizantes de uso veterinário, a Anvisa já avalia junto às indústrias quais que possuem a estrutura necessária para a adaptação. De acordo com a agência, já foram realizadas reuniões com as empresas Ourofino, localizada no município de Cravinhos (SP), e CEVA, em Juatuba (MG).

À Arko Advice, o senador Wellington Fagundes (PL-MT), relator do Projeto de Lei 1.343/2021, que trata do tema, disse que uma comitiva composta por representantes do Ministério da Saúde, da Secretaria de Governo, da Anvisa, OMS e OPAS devem visitar essas duas fábricas na próxima sexta-feira (21).

“Temos mantido contato com o Sindicato da Saúde Animal (Sindan). Eles disseram ter três plantas industriais com biossegurança máxima e que poderiam fabricar, em 90 dias, 400 milhões de doses”, relatou Wellington Fagundes.

O senador também contou que empresas chinesas já têm mantido contato com as autoridades brasileiras para projetos de produção de vacina nessas fábricas. Os contratos que são negociados contariam com transferência de tecnologia, permitindo que o ingrediente farmacêutico ativo (IFA) da vacina fossem produzidos no Brasil.

Ofícios do Ministério das Relações Exteriores obtidos pela Arko Advice relatam conversas entre representantes do governo brasileiro e representantes de empresas chinesas. Entre as discussões, executivos chineses relatam o interesse de produzir vacinas no exterior como forma de evitar o controle do governo chinês sobre as exportações.

Outra possibilidade é de que as fábricas adaptadas atuem em suporte ao Instituto Butantan ou à Fiocruz, que já fazem o envase de vacinas no Brasil.

O que diz o projeto

O projeto de lei que permite a fabricação de vacinas contra a covid-19 em fábricas de imunizantes veterinários foi aprovado por unanimidade no Senado no final do mês passado. A ideia é redesignar laboratórios que hoje fabricam vacinas contra a febre aftosa.

Apesar da facilidade com que o projeto foi aprovado no Senado, na Câmara ele já passou dos 15 dias sem ter o relator designado.

“A base técnica para os parâmetros são as mesmas utilizadas pela Anvisa para empresas farmacêuticas produtoras de medicamentos biológicos estéreis. As normas de Boas Práticas de Fabricação são as mesmas para qualquer IFA biológico ou vacina de uso humano”, esclareceu a Anvisa, em nota.