Foto: Marcos Corrêa/PR

A nova rodada da pesquisa XP/Ipespe divulgada na terça-feira (11) aponta que a avaliação positiva (ótimo/bom) do governo Jair Bolsonaro oscilou positivamente dois pontos percentuais – dentro da margem de erro (2%) – e atinge 29%. A avaliação negativa (ruim/péssimo), por sua vez, subiu um ponto e soma 49%. O índice regular caiu quatro pontos e registra 20%.

A leve melhora na popularidade de Bolsonaro deve ser atribuída ao retorno do auxílio emergencial, que começa a ser percebido no dia-a-dia da população, e o avanço da vacinação.

Mesmo que a maior parcela da opinião pública avalie o governo negativamente, a pesquisa pode ser considerada positiva para o presidente, afinal de contas a base social bolsonarista (1/3) não foi abalada. Além disso, a expectativa é que, salvo a ocorrência de uma terceira onda da pandemia da Covid-19, a economia deve melhorar, a vacinação continuar aumentando e o número de mortos, consequentemente, caindo.

Vale registrar também que o presidente Jair Bolsonaro consegue melhorar sua popularidade mesmo em meio a cobertura negativa dos principais meios de comunicação, que foi turbinada a partir do início dos trabalhos da CPI da Covid no Senado.

Em relação à CPI, 67% dos entrevistados aprovam sua instalação. 17% desaprovam e 16% não souberam responder. No entanto, há uma divisão na opinião pública se a Comissão atingirá seus objetivos. 46% responderam que sim e 45% pensam o contrário.

Sucessão segue polarizada entre Bolsonaro X Lula

A nova rodada da pesquisa XP/Ipespe também fez simulações sobre a sucessão de 2022. A polarização entre o presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) e o ex-presidente Lula (PT) se mantém. Bolsonaro aparece com 29% das intenções de voto, mesmo percentual registrado por Lula.

Em seguida, aparece o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), com 9%. Ele está tecnicamente empatado com o ex-ministro Sérgio Moro (Sem partido), que registra 8%. O apresentador da TV Globo, Luciano Huck (Sem partido), aparece com 5%.

O governador de São Paulo (SP), João Doria (PSDB), e o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM) registram 3% das intenções de voto cada um. Guilherme Boulos (PSOL) soma 1%. Brancos, nulos e indecisos representam 14%.

A sondagem XP/Ipespe pode ser considerada positiva para Bolsonaro e Lula, que se beneficiam da polarização.

Por outro lado, o levantamento mostra números ruins para o centro, que não dispõe de candidato natural, narrativa e nem unidade.

Os números da XP/Ipespe são extremamente negativos para o PSDB, que hoje é menos competitivo que Ciro, Moro e Huck, por exemplo.

Em que pese a polarização Bolsonaro X Lula – as duas intenções de voto somadas contabilizam 58% – numericamente há espaço para uma terceira via. As somas de Ciro, Moro, Huck, Doria, Mandetta e Boulos contabilizam 29%, ou seja, um terço do eleitorado. E temos ainda 14% dos eleitores “sem candidato” (brancos, nulos e indecisos).

Segundo turno equilibrado: Bolsonaro empata com principais adversários

As simulações de segundo turno mostram um cenário bastante acirrado. O presidente Jair Bolsonaro empataria com Lula (42% a 40% em favor do ex-presidente, o que configura empate técnico) e Ciro (39% a 38% em favor de Bolsonaro).

Bolsonaro empataria ainda com Moro (32% a 30% em favor do presidente) e Huck (38% a 34% em favor de Bolsonaro).

Por ora, Jair Bolsonaro venceria apenas Doria (40% a 31%) e Boulos (31%).

Com base nos números de hoje, é possível projetar um segundo turno sem favoritos, pois há um sentimento da mudança – 50% dos entrevistados desejam na próxima eleição alguém que mude totalmente a forma como o Brasil está sendo administrado. Apenas 17% querem que seja dada continuidade a forma atual como o país vem sendo administrado.

Por outro lado, 33% apontam que ser honesto é o principal atributo de imagem do próximo candidato, o que potencialmente beneficia Bolsonaro.