Rodrigo Garcia, Vice-governador de São Paulo. Foto: Governo do Estado de São Paulo

O vice-governador Rodrigo Garcia (DEM) passou a ganhar importante visibilidade através de sua participação nas coletivas em que o Palácio dos Bandeirantes atualiza as informações sobre o coronavírus em São Paulo (SP).

Embora o protagonismo adquirido por Garcia seja uma forma do governador João Doria (PSDB) preservar sua imagem, bastante desgastada por conta das medidas restritivas adotadas em SP, o vice-governador fortalece seu nome visando as eleições de 2022.

Nos bastidores a avaliação é que a possibilidade de Rodrigo Garcia trocar o DEM pelo PSDB é cada vez maior. Como a executiva estadual do PSDB decidiu, no mês passado, que o partido terá candidatura própria para o governo de SP e que, caso o candidato dispute reeleição, não haverá prévias, caso João Doria concorra ao Palácio do Planalto em 2022, Garcia seria automaticamente o candidato tucano a governador.

A eventual filiação de Rodrigo Garcia ao PSDB poderia ser acompanhada dos 50 prefeitos que hoje pertencem ao DEM.

Entretanto, o DEM vê a situação com mais incômodo. Dirigentes da legenda dizem que o convite vem sendo feito em termos impositivos, e que Doria deveria buscar uma proposta para viabilizar Garcia sem a condição da migração – a candidatura ao governo do Estado já era esperada desde a campanha de 2018. Para esses dirigentes, o governador não tem condições, no momento, de oferecer pactos nacionais em nome do PSDB, que se vê envolvido em conflitos internos.

Rodrigo Garcia é filiado ao DEM desde 1994, quando tinha 20 anos e o partido se chamava PFL. A entrada na política foi apadrinhada por Gilberto Kassab, de quem Garcia chegou a ser sócio em quatro empresas nos anos 1990.

Rodrigo Garcia divide o controle da legenda no Estado com o vereador paulistano Milton Leite, que fez de seu filho Alexandre, deputado federal, presidente da Executiva estadual.

O vice-governador tem um discurso econômico liberal e moderado e transita com facilidade na centro-direita paulista.

Enquanto o futuro ainda é discutido, Garcia trabalha no Palácio dos Bandeirantes ocupando praticamente todos os espaços decisórios possíveis.