Para tentar impedir a votação da Medida Provisória 1000, que trata do valor do Auxílio Emergencial, a base do governo na Câmara dos Deputados decidiu obstruir a votação. A informação foi confirmada à Arko Advice pelo líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR).

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), colocou a MP na pauta desta sexta-feira (18) depois de desentendimento com o presidente Jair Bolsonaro. Em live nas redes sociais, o presidente da República disse que a responsabilidade pelo não pagamento do 13º do Bolsa Família neste ano é do presidente da Câmara, que teria deixado caducar a MP 898/2019, que tratava do tema. Como resposta, Maia argumentou que a não votação era uma demanda do próprio governo e que articularia a inclusão do tema na MP 1000, colocada em pauta nesta sexta.

A questão é que a oposição quer reverter a redução de R$ 600 para R$ 300 no valor do Auxílio Emergencial, que é um dos efeitos dessa MP. No governo existe a avaliação de que, caso o valor original seja reestabelecido, o pagamento poderia ser feito de forma retroativa, o que aumentaria o rombo nas contas públicas em 2020.

“O projeto ser pautado é resultado da pressão, que não é mais somente dos partidos da oposição. Vários líderes de centro tem pedido a votação da MP 1000. A votação é importante porque, se a MP for derrubada, nem os R$ 300 estão garantidos”, defendeu o líder do PT na Câmara, deputado Enio Verri.

A definição do relator do projeto foi publicada ontem: ficou a cargo do Dep. Marcelo Aro (PP-MG).