Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Em 57 cidades do país a disputa pela prefeitura será definida no segundo turno das eleições. Isso acontece quando, em uma cidade com mais que 200 mil eleitores, nenhum dos candidatos passa a marca de 50% dos votos.

Impulsionada pela pandemia, a taxa de abstenção registrada no primeiro turno foi superior a 23%. Por isso, candidatos têm adotado estratégias que visam conquistar esses eleitores que não foram às urnas. Contudo, a tática pode acabar gerando poucos resultados. “Historicamente, abstenção cresce do primeiro para o segundo turno. Como há neste ano o componente da pandemia, essa tradição deve se manter”, avalia o analista político da Arko Advice, Carlos Eduardo Borenstein.

Em 2016, ano das últimas eleições municipais, a taxa de abstenção passou de 17,58% no primeiro turno para 21,55% no segundo.

Segundo Borenstein, o segundo turno deve repetir as tendências vistas no primeiro, com preferência por políticos experientes, por exemplo. “Ao contrário do que se fala, o segundo não é uma “nova eleição”. De um modo geral, as tendências do primeiro turno se mantém. No entanto, nas disputas em que distância do primeiro para o segundo colocado é estreita, e o segundo colocado no primeiro turno consegue atrair a maioria dos apoios e dos eleitores, as chamadas ‘viradas’ podem ocorrer”, pontua.

Confira a análise completa na entrevista:


O resultado do primeiro turno mostra uma forte preferência do eleitor por prefeitos experientes. A cada 10 municípios, em 3 prefeitos se reelegeram, isso sem contar vice-prefeitos que assumiram. Essa tendência deve se manter?

Acredito que sim. A pandemia criou um novo cenário político. O mercado eleitoral está demandando gestores experimentados. Diante da incerteza, o eleitor está optando por opções que gerem um grau menor de “insegurança”. Neste quadro, o ambiente mudancista de 2016 e 2018 ficou para trás. A pandemia levou o pragmatismo e a superar a ideologia.

Muitos candidatos têm mirado naqueles eleitores que não votaram em primeiro turno. A abstenção deve, novamente, ser um fator que pesa no resultado?

Historicamente, abstenção cresce do primeiro para o segundo turno. Como há neste ano o componente da pandemia, essa tradição deve se manter.

Quais outros fatores devem ter impacto no segundo turno?

Ao contrário do que se fala, o segundo não é uma “nova eleição”. De um modo geral, as tendências do primeiro turno se mantém. No entanto, nas disputas em que distância do primeiro para o segundo colocado é estreita, e o segundo colocado no primeiro turno consegue atrair a maioria dos apoios e dos eleitores, as chamadas “viradas” podem ocorrer.

Em São Paulo, Boulos recebeu apoio do PT e de outras siglas de esquerda. Isso é suficiente para ameaçar a liderança de Covas?

O prefeito Bruno Covas (PSDB) continua sendo o favorito. Porém, a eleição não está decidida. Como no segundo turno o que um candidato ganha em termos de intenção de voto representa uma perda de seu concorrente, caso Guilherme Boulos (PSOL) cresça na reta final, surpresas podem ocorrer. Embora o mais provável seja a reeleição de Covas, uma vitória de Boulos não deve ser totalmente descartada, pois há cerca de 20% do eleitorado que ainda admite trocar de candidato.

Última pesquisa Datafolha mostra Paes muito a frente de Crivella, no Rio. O que explica essa diferença? Esse cenário tem possibilidade de se reverter?

O prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) é muito rejeitado. O que poderia ganhar de eleitores – cerca de 20% — já conseguiu no primeiro turno. Isso foi suficiente para levá-lo ao segundo turno. Porém, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) tem uma vantagem muito folgada, tendo recebido inclusive o apoio crítico de candidatos de esquerda. Salvo o surgimento de um fato novo, Paes deve vencer a disputa.

 


*Análise Arko – Esta coluna é dedicada a notas de análise do cenário político produzidas por especialistas da Arko Advice. Tanto as avaliações como as informações exclusivas são enviadas primeiro aos assinantes. www.arkoadvice.com.br