Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil

Nas últimas semanas, foram intensas as movimentações de potenciais candidatos à corrida pela sucessão presidencial de 2022.

O presidente Jair Bolsonaro chegou a afirmar que muita gente quer a cadeira dele, mas que a vida lá não é fácil. O ex-presidente Lula (PT) faz aceno em direção ao ex-ministro Ciro Gomes (PDT). Lula sabe que terá um enorme desafio no próximo pleito. O PT não conquistou a prefeitura de nenhuma capital no primeiro turno e elegeu no primeiro turno 179 prefeitos (75 a menos que em 2016). O apresentador de Luciano Huck disse recentemente que está pronto para concorrer no ano que vem. Um encontro ocorrido com Sérgio Moro, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública de Bolsonaro, alimentou rumores em torno de uma aliança entre os dois.

As divergências entre Bolsonaro e seu vice, Hamilton Mourão fizeram surgir especulações sobre quem será o próximo vice de Bolsonaro, em sua chapa para disputar a reeleição. Opções como o príncipe Luiz Philippe de Orléans e Bragança, e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, têm sido levadas em consideração. Se as pesquisas mostram o eleitorado dividido entre os que apoiam Bolsonaro, os que procuram uma alternativa de centro e os que apostam em candidatos de esquerda, temos a mesma divisão entre os potenciais grupos que podem entrar na corrida sucessória.

No centro, além de Huck, o governador de São Paulo, João Doria, que rivaliza com o presidente em vários temas com frequência, também tenta se posicionar como alternativa. O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, é outro que busca se firmar como uma alternativa de centro. O senador Álvaro Dias (Podemos) pode tentar mais uma vez. Sem esquecer da ex-senadora Marina Silva (Rede), que reaparece a cada quatro anos! Na esquerda há vários nomes potenciais. O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT); Lula, desde que consiga anular sua condenação no Supremo Tribunal Federal; Guilherme Boulos (PSOL); o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB); o ex-ministro Ciro Gomes (PDT); e o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSB).

O discurso da antipolítica, que prevaleceu nas eleições de 2018 e foi muito aproveitado por Bolsonaro, não obrigatoriamente será o tema de 2022. O resultado das eleições municipais acaba de mostrar, por exemplo, a força dos partidos do Centrão. Políticos tradicionais tiveram desempenho muito melhor do que os chamados “outsiders”. Talvez por algumas decepções recentes, como Wilson Witzel (PSC), afastado do cargo de governador do Rio de Janeiro por decisão do Supremo Tribunal de Justiça.

Texto publicado na IstoÉ dia 20/11/2020

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Vice Presidente e sócio da Arko Advice desde 1999, Cristiano Noronha é Administrador de Empresas e Mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília. Foi professor de Ciência Política e Administração (UPIS e UNB). Cristiano regularmente profere palestras para investidores estrangeiros nos Estados Unidos e Europa. É editor-chefe do “Cenários Políticos”, “Política Brasileira”, newsletter semanal de análise política da Arko Advice, assinado por centenas de bancos, fundos de investimento e empresas nacionais e multinacionais.