Em transmissão no Facebook, Jair Bolsonaro apresenta cartazes de candidatos apoiados por ele. Imagem: Reprodução

Apesar das dificuldades encontradas por candidatos que tentam se vincular ao bolsonarismo nas eleições municipais nas capitais, o presidente Jair Bolsonaro não está sendo avaliado neste pleito. Além da eleição ser municipal, Bolsonaro não possui filiação partidária, dificultando um vínculo mais nítido nessas eleições.

Assim, mesmo que o apoio do presidente possa render alguns votos aos candidatos que ele indicar, o engajamento na base social bolsonarista em favor desses candidatos não será igual ao registrado em 2018, por exemplo.

O terceiro ponto a ser considerado é que em eleições municipais os temas locais se sobrepõem aos nacionais. Como consequência, o apoio de Bolsonaro acaba sendo relativizado por uma parcela do eleitorado.

Como consequência, eventuais sucessos ou fracassos de candidatos que Bolsonaro estiver apoiando nas eleições municipais, ou de nomes que se associam a ele, não devem ser vistos como vitória ou derrota do presidente.

Vale recordar que na eleição de 2008 pela prefeitura de São Paulo, o então presidente Lula (PT) apoiou a candidatura de Marta Suplicy. Mesmo sendo muito popular, Lula não conseguiu eleger Marta e quem venceu foi o então prefeito Gilberto Kassab. Já dois anos depois, Lula transferiu seu prestígio para Dilma Rousseff e fez dela a sua sucessora na eleição em que seu governo foi avaliado.

Esse case mostra que um eventual insucesso de candidatos bolsonaristas em novembro não irá sugerir, necessariamente, que Bolsonaro ficará enfraquecido.

No entanto, o possível fortalecimento de partidos do “centrão” levará Bolsonaro, ao contrário de 2018, a tentar tê-los como aliados, pois o pleito deste ano tem mostrado que a estrutura partidária e o tempo de TV continuam importantes.

Esse aspecto poderá trazer como consequência o retorno de conversações tendo em vista uma possível volta do presidente para o PSL. Apesar das divergências entre Bolsonaro e o grupo do deputado federal Luciano Bivar (PE), presidente da legenda, essa reaproximação passaria a interessar a ambos, pois o PSL sem Bolsonaro tem sentido dificuldade de ir adiante.


*Análise Arko – Esta coluna é dedicada a notas de análise do cenário político produzidas por especialistas da Arko Advice. Tanto as avaliações como as informações exclusivas são enviadas primeiro aos assinantes. www.arkoadvice.com.br