A Black Friday, evento que ocorre toda última sexta-feira do mês de novembro, corre risco de perder esse nome a partir de 2020, devido às discussões sobre a possível origem racista do termo.

O assunto ganhou relevância nacional depois de o Grupo Boticário, responsável por marcas como O Boticário e Quem Disse Berenice, extinguirem o termo por conta do caráter racista trazido por este. Outras marcas começaram a discutir o assunto também, mas ainda não há consenso se a militância em torno do termo faz ou não sentido.

A origem exata do termo Black Friday é desconhecida por falta de registros históricos, mas duas explicações são aceitas e difundidas como prováveis: a primeira remete à compra e venda de negros escravizados no século XVIII, que eram geralmente realizadas às sextas-feiras para ver se “a mercadoria” aguentava apanhar e trabalhar incansavelmente durante os outros dias da semana; e a segunda remete à necessidade de os comerciantes norte-americanos precisarem esvaziar seus estoques ao fim do feriado do Dia de Ação de Graças para se prepararem para o Natal, promovendo descontos reais de até 90%, mas a ação comercial causava problemas à polícia que, com a segregação racial escancarada até então, associava a violência aos negros chamando o dia de “sexta-feira negra”.

A economia, no entanto, tem uma terceira e provável origem: em inglês, o termo “black’ pode ser associado a estar com as contas em dia – no Brasil, o equivalente seria “estar no azul” – e, por isso, a ação dos comerciantes em fazer uma promoção entre o Dia de Ação de Graças e o Natal serviria para equilibrar as contas das lojas.

Apesar de nenhuma organização do movimento negro ter se pronunciado oficialmente a respeito do assunto, agências de publicidade voltadas para este público são favoráveis á extinção do termo, uma vez que “preto se algo ruim” é uma associação comum há muitos séculos e que é necessário acabar com o “racismo implícito”, aquele que é velado e reside nos detalhes. Além disso, o termo “Black Fraude”, que diz respeito às lojas que promovem falsos descontos para aderirem ao movimento, ajudou a acentuar ainda mais o racismo implícito, por conta do seu uso pejorativo.