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O governo francês reforçou na última sexta-feira (18) sua oposição quanto ao tratado comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. Relatório apresentado ao governo por Stefan Ambec, economista e presidente da comissão de peritos responsável pelo documento, indica que o custo ambiental do acordo supera os benefícios econômicos. O primeiro-ministro da França, Jean Castex, disse ainda que o desmatamento ameaça a biodiversidade e o clima e que o relatório reforça a posição da França de se opor ao projeto.

Atualmente, o tratado não contém cláusulas que preveem sanções se países do Mercosul não tomarem medidas para impedir o aumento dos incêndios ou permitirem a destruição de reservas indígenas. O objetivo da França é impor condições ambientais para que as negociações prossigam. Três outros parlamentos na Europa já disseram que não darão aval ao acordo do jeito que está. Os argumentos da Áustria, Holanda e da região da Valônia, na Bélgica, alinham-se com os da França

A União Europeia vem reforçando sua posição de combate ao aquecimento global. A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, anunciou na última quarta-feira (16) meta de redução da emissão de gases do efeito estufa de 55% até 2030. Diversos institutos, órgãos e ONGs da UE disseram também que o acordo com o Mercosul é incompatível com os objetivos do Green Deal europeu.

Além da dificuldade de fechar o acordo, as relações comerciais entre o Brasil e a UE registraram quedas expressivas. Estudo da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia indica que, no ano passado, as exportações para os países membros do bloco tiveram queda de 14,8%. De janeiro a agosto de 2020, as exportações brasileiras para a UE caíram 11,1%.