Foto: Shealah Craighead/Casa Branca

Em razão de mudanças significativas no mercado de aço dos Estados Unidos, que se contraiu em 2020 após aumentar em 2018 e 2019, o presidente Donald Trump anunciou, em comunicado, a redução da quota para as exportações do aço semi-acabado do Brasil. A Casa Branca alega que as exportações dos produtores norte-americanos tiveram queda de 15% no primeiro semestre de 2020, e que a utilização da capacidade instalada das empresas do setor estava abaixo de 70%, até o dia 15 de agosto.

De acordo com Trump, as importações da maioria dos países caíram este ano de maneira compatível com essa contração e, por outro lado, as importações do Brasil diminuíram apenas ligeiramente”, afirmou Trump ao anunciar a redução.

As exportações de aço do Brasil para os EUA chegam, anualmente, a US$ 2,6 bilhões (R$ 14 bilhões) e aproximadamente 85% do volume total – cerca de 3,5 milhões de toneladas – são de semi-acabado que servem de matéria-prima para a indústria americana. Esse montante é exportado do Brasil para os EUA em quatro parcelas: três, que equivalem a 30% do total cada, e uma final de 10%.

Governo brasileiro
Em nota conjunta (29), os ministérios das Relações Exteriores e da Economia apontaram que, mesmo com diminuição, as tarifas sobre o comércio bilateral do aço intra-quota permanecerão isentas, do mesmo modo do ocorrido em 2019. Em dezembro será feita uma rodada de negociação entre os dois países.

Segundo a nota, “o governo brasileiro mantém a firme expectativa de que a recuperação do setor siderúrgico dos EUA, o diálogo franco e construtivo na matéria, a ser retomado em dezembro próximo, e a excepcional qualidade das relações bilaterais permitirão o pleno restabelecimento e mesmo a elevação dos níveis de comércio de aço semi-acabado. Essa perspectiva coaduna-se com os atuais esforços conjuntos de integração ainda maior das economias dos dois países”.

O governo brasileiro avalia que as quotas para importação de aço recentemente impostas ao país pelos Estados Unidos serão suspensas à medida que as condições do mercado melhorarem.

Em 2018, o governo norte-americano deu início à adoção de medidas que impactaram as exportações brasileiras: a imposição, em março, de quotas para as compras de aço brasileiro e a taxação de 10% das compras de alumínio do país. Trump já havia sinalizado, em dezembro de 2019, a intenção de diminuir as quotas de exportação do aço brasileiro, porém, voltou atrás depois de negociações com o governo brasileiro.

O Instituto Aço Brasil declarou, por meio de posicionamento publicado em sua página na internet, ter recebido a decisão com perplexidade. Segundo a entidade representativa dos produtores de aço no país, a decisão era uma retaliação ao Brasil, e que a medida acabaria “por prejudicar a própria indústria produtora de aço americana, que necessita dos semiacabados exportados pelo Brasil para poder operar as suas usinas.”