Foto: Rafael Vilela/@piravilela

O governador João Doria (PSDB) condenou o que classificou como abusos da Polícia Militar (PM) em operações ocorridas na semana passada. Segundo Doria, isso é “inadmissível” e que os problemas ocorrem em “uma minoria” do corpo policial do estado.

De acordo com o governador, o secretário de Segurança Pública do Estado, general João Camilo Pires de Campos, já se reuniu presencialmente com os comandantes setoriais da PM para reafirmar que o governo não aceita violência policial.

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, e a Corregedoria da Polícia investigam se policiais militares estão envolvidos na morte de um jovem negro de 15 anos. O rapaz, identificado como Guilherme, desapareceu na Vila Clara, distrito de Jabaquara, localizado na zona sul da capital paulista.

Sua morte mobilizou a comunidade do bairro onde ele morava, ocorrendo uma manifestação no local, quando foram incendiados sete ônibus e outros três foram depredados.

Além desse caso, policiais foram flagrados em imagens que circularam pelas redes sociais, agredindo pessoas rendidas no Jaçanã, em SP, e em Barueri (SP).

Segundo João Camilo Campos, inquéritos já foram abertos para investigar a participação de policiais na morte do jovem na Vila Clara e policiais investigados já foram afastados da Polícia Militar.

Conforme podemos observar, nas últimas semanas, houve o aumento da violência cometida pela PM, sobretudo na periferia da capital paulista. Tais episódios tem preocupado João Doria, pois no início desse ano, uma ação da polícia que deixou adolescentes mortos na comunidade de Paraisópolis provocou grande repercussão negativa.

Não é apenas isso. Além do risco de surgirem protestos mais significativos nas comunidades contra a PM, o que traria mais um problema para Doria, há relatos que cresceu a influência do bolsonarismo entre os oficiais de baixa patente.

Vale lembrar que muitos policiais que se afastaram momentaneamente da corporação para serem candidatos nas eleições de 2018 acabaram não se elegendo, voltaram para a polícia, mas a simpatia com o bolsonarismo persiste.

Assim, ao determinar o afastamento de policiais militares envolvidos em atos violentos nas comunidades Doria busca, por um lado, mostrar que não compactua com tais atos e, por outro, reafirmar que o Palácio dos Bandeirantes possui controle sobre as ações da PM.