Foto: Anderson Riedel/PR

O presidente Jair Bolsonaro anunciou a recriação do Ministério das Comunicações e colocou o deputado federal Fábio Faria (PSD-RN) no comando da pasta. Tal ato oficializa o retorno ao chamado “presidencialismo de coalizão”, conceito criado pelo cientista político Sérgio Abranches segundo o qual o presidente da República cria uma coalizão multipartidária e majoritária para conseguir aprovar projetos legislativos.

Esse conceito é confundido, por vezes, com o “toma lá, dá cá”, mas precisamos saber diferenciá-los. Não é danoso para a República o presidente tentar, em nome de uma maior governabilidade, dialogar com diferentes partidos e acomodá-los dentro da estrutura do governo. Essa confusão se dá porque nos últimos anos foram feitas inúmeras tratativas não republicanas que levaram a práticas de corrupção e de nomeações para cargos com o único fito de se obter algum ganho específico dentro do Parlamento.

Vale lembrar que Bolsonaro iniciou seu mandato buscando se apoiar na relação com bancadas temáticas. A realidade, porém, mostrou a necessidade de dialogar com as legendas. Por essa razão resolveu ceder e adotar essa prática, que, se por um lado pode fazer com que sua base eleitoral se sinta traída, por outro pode trazer ganhos de governabilidade, o que ultimamente tem faltado a Bolsonaro.

O PSD de Fábio Faria integra o chamado Centrão – bloco dentro da Câmara que congrega legendas como PP, PL, Republicanos, PTB e Solidariedade –, que soma pouco mais de 170 deputados. Além de Faria, Bolsonaro realizou recentes nomeações de filiados desses partidos em outros escalões.

Tais investiduras podem acarretar, além do significativo aumento numérico da frágil base governista, melhora do diálogo entre o Executivo e o Congresso Nacional. Resta
saber quão fiel será o Centrão e se o presidencialismo de coalizão, à moda Bolsonaro, será eficiente para lhe garantir a aprovação de pautas prioritárias em sua gestão e, no
limite, evitar um eventual – e ainda remoto – processo de impeachment.