Foto: Sérgio Lima/PODER 360

O relator do novo projeto do marco legal do saneamento básico, senador Tasso Jereissati, participou, nesta terça-feira (26) de live com o CEO da Arko Advice Murillo de Aragão sobre o cenário político atual e as perspectivas para aprovação do projeto e ambiente político. A seguir, resumo dos principais pontos abordados pelo ministro

Projetos polêmicos na Câmara envolvendo bancos
“É hora de sacrifício para todo mundo, e todos estão fazendo esse sacrifício”. Por causa disso há duas tendências: um certo populismo, alimentado pela ânsia dos parlamentares em minimizar os efeitos da pandemia, e a falta de uma presença forte do Executivo, para que este possa dar rumo à política. O Executivo é quem ditava a agenda do Legislativo – hoje não é assim que funciona. Essas medidas terão efeito contrário – haverá concentração de renda, bancos menores não irão aguentar o impacto, e o entupimento do crédito com menos recursos para financiar os pequenos empresários e as pessoas físicas com menores possibilidades financeiras. Corremos o risco de acabar a pandemia com um protecionismo muito forte.

Lei do Saneamento
Temos grandes possibilidades de o tema entrar em pauta nos próximos quinze dias, mas temos muitas dificuldades para aprovar esse projeto, sobretudo quanto ao aspecto ideológico. O corporativismo é tão grande que governadores não conseguem aguentar o impacto e a população sai prejudicada. A empresa privada, segundo dizem, não vai querer investir nos munícipios mais pobres, mas isso é uma falácia. Depois da escravidão, a falta de saneamento é a maior chaga do país e é preciso saná-la.

PECs
Vai depender muito do andamento da pandemia – por isso, justamente, que a questão do saneamento não andou rapidamente. Priorizam-se os projetos relacionados à pandemia e às consequências para a economia. Algumas medidas emergenciais terão que ser tomadas, mas é preciso, antes de tudo, ver se haverá ou não eleições no segundo semestre – tendo, será necessário que, um mês antes desta, os parlamentares voltem às suas bases.

Eleições Municipais de 2020
A possibilidade do adiamento é real, e o que todos queremos evitar é que haja prorrogação de mandatos. Precisamos ir até o limite para realizar essas eleições para não quebrar princípios básicos da nossa democracia.

Setores afetados pelo dólar em razão da pandemia
Todos esses setores terão que ser recuperados pelo Governo Federal, no intuito de dar liquidez a essas empresas enfraquecidas pela pandemia. Se não tiver crédito de longo prazo, não é preciso ter juros subsidiados para ajudar na recuperação dessas empresas. Por exemplo, as linhas aéreas estão quase liberadas, mas não têm passageiros – então, é preciso estipular as medidas de segurança sanitária para que o setor possa ser reavivado.

”Plano Marshall” no Brasil
Pode ser percebido que a nomenclatura não era o foco da discussão do vídeo da reunião – o foco era demonstrar os problemas de Paulo Guedes com Rogério Marinho, o qual deve ter muita simpatia do Bolsonaro por seu nacionalismo estatizante. Se isso não era claro ainda, com o vídeo isso ficou realmente claro. O Governo agora precisa definir se o Estado será o grande investidor da economia ou se criará um ambiente de estímulo para a iniciativa privada realizar essa retomada. “Precisamos ter segurança jurídica e estabilidade política para poder lidar com todas as crises que já enfrentamos, posto que essa crise política advinda do vídeo é desnecessária.”

Polarização política no Brasil
Torce para que a polarização política se acalme. A revelação do vídeo criou um problema enorme, que vem se agravando todos os dias – a ver, os xingamentos do ministro da Educação contra Brasília recaem sobre todos nós, do Poder Legislativo e do Executivo, e as ameaças de prisão de governadores pela ministra dos Direitos Humanos. Hoje, com toda essa discussão sobre a Polícia Federal, há uma grande coincidência fazer uma busca e apreensão na casa do governador do Rio de Janeiro – ficou parecendo que quem estiver contra o Governo Bolsonaro poderá ter a sua casa invadida pela PF a qualquer momento.

Sucessão no Senado
A questão está morta, não é tema de discussão – e nem poderia ser, pois qualquer eventual mudança na legislatura, demanda muito cochicho e muita negociação pessoal, e isso é impossível com a comunicação dos parlamentares.

PSDB
É um partido bem pragmático e, mesmo com suas discussões e perdas nas últimas eleições, tem Doria como governador de São Paulo e Eduardo Leite como uma das maiores revelações políticas dos últimos anos.