Foto: João Cruz/Agência Brasil

Numa acirrada disputa interna em que votaram apenas os membros de diretórios regionais, o ex-deputado federal Jilmar Tatto (PT) derrotou o ex-ministro Alexandre Padilha (PT) por 312 a 297 votos e será o candidato do PT na eleição de outubro em São Paulo (SP). Tatto é um nome ligado a presidente nacional do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR).

Apesar de Tatto ter feito um apelo de “união das forças progressistas”, internamente ele é visto como uma opção eleitoralmente pouco viável, o que aumenta o risco do PT ficar novamente de fora em segundo turno – em 2016, o então prefeito Fernando Haddad foi derrotado já no primeiro turno pelo hoje governador João Doria (PSDB).

Outra preocupação interna no PT é que o possível mal desempenho de Jilmar Tatto deve impactar negativamente os candidatos a vereador do partido.

Embora a “chapa dos sonhos” do ex-presidente Lula (PT) fosse a composição entre os ex-prefeitos Fernando Haddad e Marta Suplicy, tal hipótese ficou inviabilizada. Haddad, que almeja disputar novamente o Palácio do Planalto em 2022, não quis concorrer.

Marta quer concorrer. Porém, sua saída do PT com críticas ao partido e seu voto a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) quando era senadora pelo MDB, inviabilizou seu retorno ao PT mesmo diante do desejo de Lula. Assim, restou a Marta se filiar ao SD.

Jilmar Tatto apostará em alguns legados deixados pelo PT na capital paulista com atributos eleitorais como, por exemplo, a implementação do Bilhete Único, corredores de ônibus, ciclovias e a avenida Paulista aberta a pedestres aos domingos, quando ele era secretário municipal dos Transportes nas gestões de Marta e Haddad.

Embora o deputado federal Carlos Zarattini (PT) tenha desistido da disputa interna, após o partido cancelar as prévias para uma disputa interna mais restrita em meio a pandemia do coronavírus, e o vereador Eduardo Suplicy (PT), o deputado federal Paulo Teixeira (PT) e ex-vereador Nabil Bonduki (PT) tenham saído da disputa para apoiar Alexandre Padilha, Jilmar Tatto, devido a seu grande trânsito nas bases petistas, era considerado o favorito.

Os desafios para Jilmar Tatto serão grandes na disputa em SP. Além da desconfiança interna com seu potencial, terá como obstáculos no campo da esquerda a possível chapa entre o líder do MTST, Guilherme Boulos (PSOL), que possui o recall da disputa presidencial de 2018, e a ex-prefeita Luiza Erundina (PSOL), a ex-senadora Marta Suplicy, que recentemente se filiou ao SD, e a chapa entre o ex-governador Márcio França (PSB) em aliança com o PDT mais à centro-esquerda.

Além de superar nomes mais competitivos do quadrante à esquerda do tabuleiro eleitoral, Tatto terá como adversários o prefeito Bruno Covas (PSDB), que aumentou seu potencial eleitoral devido a projeção que admitiu ao atuar em parceria com o governador João Doria (PSDB) no combate à pandemia do coronavírus.

Não bastasse isso, terá que lidar com o sentimento antipetista, que ainda é muito alto na capital paulista, e a candidatura que irá representar o bolsonarismo na capital paulista.

Diante dessas dificuldades, poderá surgir uma pressão para que Marta Suplicy seja a vice de Tatto. Porém, além da resistência a Marta ainda ser alta, o ingresso da ex-prefeita e ex-senadora como vice a colocaria como “um nome maior” que Tatto.

Entretanto, Marta agregaria à chapa o voto das periferias da cidade, onde tanto ela quanto o lulismo ainda preservam capital eleitoral. Porém, Marta é um nome que também tem fragilidades. Além disso, também existe a possibilidade da ex-senadora ser candidata pelo SD, o que dividiria ainda mais a esquerda e enfraqueceria o potencial eleitoral do PT.

Neste cenário, mesmo que a disputa ainda esteja distante, uma derrota do PT já no primeiro turno, assim como ocorreu em 2016, é possível. Caso isso ocorra, o ambiente de cobranças internas sobre Fernando Haddad, que não quis ser candidato, tende a aumentar.