Foto: Aloisio Mauricio/Fotoarena

Jair Bolsonaro assumiu a Presidência amparado em três pilares: os militares, Paulo Guedes (Economia) e Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública). Um desses pilares, Sérgio Moro, caiu na última sexta-feira (24). Já os militares aumentaram sua presença no Palácio do Planalto (Casa Civil e Secretaria de Governo).

Com o lançamento do Plano Pró-Brasil (22), que tem como uma de suas premissas o aumento do investimento público para contornar os impactos da pandemia do novo coronavírus na economia, o pilar militar passou a se chocar com o da Economia, que continua orientado por uma política econômica com foco na questão fiscal.

O lançamento do Plano, sem a presença do ministro Paulo Guedes, gerou especulações no mercado e na imprensa sobre sua eventual saída do governo.

De acordo com informações obtidas entre fontes da equipe econômica, o programa de fato gerou mal-estar no Ministério da Economia. Mas a avaliação é a de que é possível acomodar visões diversas. Para tanto são necessários alguns movimentos. Primeiro, chamar o ministro para o diálogo. Segundo, acelerar o programa de concessões. Por fim, aumentar o orçamento da Infraestrutura.

Ainda de acordo com essas fontes, a saída de Guedes poderia acontecer se “tiver mais canelada”. Exemplos dessas caneladas seriam não acomodar o ministro no Plano Pró-Brasil, desenhado pelo ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, ou, ainda pior, se houver divisão na pasta de Guedes, com, por exemplo, a recriação do Ministério do Trabalho.

A recriação eventual do Ministério do Trabalho poderia decorrer de pressão política para acomodar o Centrão e/ou pelo aumento significativo do número de desempregados devido à pandemia da Covid-19. Empresas calculam que haja um corte de 3 milhões de vagas até o fim de maio.