Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A venda de empresas estaduais, que integra os planos de ajuste fiscal de Unidades da Federação, deve enfrentar dificuldades para sair do papel este ano. É o caso da capitalização da Eletrobras, com sua consequente privatização. Mesmo que a estruturação dessas operações não tenha sido paralisada pela pandemia, falta ambiente para que a transferência dessas empresas ocorra em um futuro próximo.

A avaliação é que os estados podem preferir adiar a venda para quando o mercado estiver mais favorável. Enquanto isso, a partir do segundo semestre,podem ocorrer outros tipos de operações, de fusões e aquisições, com empresas menores colocando à venda ativos que possam despertar o interesse de grupos privados.

O calendário previsto para 2020 inclui duas companhias que estão com processos adiantados: a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), do Rio Grande do Sul, e a CEB, do Distrito Federal. As duas contam com suporte do BNDES para a desestatização e a expectativa é que os estudos de modelagem sejam concluídos até o fim do mês.

Mais demorado é o processo envolvendo a Cemig (MG), que precisa de autorização da Assembleia Legislativa mas o governador Romeu Zema (Novo) não tem maioria na Casa. No caso das empresas do Rio Grande do Sul e do Distrito Federal, o caminho está delineado: elas já estavam no radar de investidores, principalmente estrangeiros.

Mas a crise gerada pela covid-19 mudou as prioridades das empresas no mundo todo e operações estratégicas mirando o longo prazo podem ficar em segundo plano, com consequências gerais mais duradouras do que se imagina hoje.

Do lado do vendedor, a avaliação é de que as privatizações tendem a perder importância no curto prazo, diante da urgência no combate à epidemia. Os governos estaduais mantêm o que foi definido: os processos de privatização estão em andamento, mas, por ora, as datas dos leilões não estão na pauta.