Foto: Isac Nóbrega/PR

O presidente Jair Bolsonaro, em seu pronunciamento em cadeia de rádio e TV, usou um tom mais suave e menos confrontativo em relação ao que vinha adotando nos últimos dias. Conforme já havíamos alertado anteriormente, a mudança de tom teve o dedo da área militar.

Ao invés de falar para sua própria base, Bolsonaro flexibilizou seu discurso. O presidente tentou construir uma nova narrativa para deixar evidente que reconhece a importância do isolamento social, mas está preocupado com a questão do emprego.

“Temos uma missão: salvar vidas sem deixar para trás os empregos. Por um lado, temos de ter cautela e precaução com todos, principalmente junto aos mais idosos e portadores de doenças preexistentes. Por outro, temos de combater o desemprego, que cresce rapidamente, em especial entre os mais pobres. Vamos cumprir essa missão, ao mesmo tempo em que cuidamos da saúde das pessoas”, afirmou Bolsonaro.

Mesmo que o novo posicionamento de Jair Bolsonaro tenha ocorrido após uma intensa repercussão negativa, tanto no Brasil quanto no exterior, na defesa do isolamento vertical, pode-se dizer que o presidente acertou no tom do pronunciamento desta noite.

Bolsonaro também acertou ao mencionar a importância de preservar a vida, se solidarizar com quem perdeu entes queridos em decorrência da pandemia do coronavírus, e pregar a união como forma de superar a crise.

A fala mais equilibrada do presidente afasta, pelo menos momentaneamente, boatos sobre a possível saída do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Embora a mudança de tom do presidente não amenize no curto prazo o desgaste sobre sua imagem, abre espaço para que ele possa dialogar novamente com a parcela da população que o deixou de apoiar a partir do avanço do Covid-19.

A postura anterior de Bolsonaro, além de distanciar o presidente do Congresso, Judiciário e Governadores, estava o afastando de sua própria equipe. Incomodado com o isolamento com ministros chaves do seu governo, a fala de hoje pode ser entendida como um gesto importante na tentativa de retomar o diálogo e reforçar a hierarquia na cadeia de comando. Ao final de seu discurso, pediu a união de todos, “num grande pacto pela preservação da vida e dos empregos: Parlamento, Judiciário, governadores, prefeitos e sociedade.