Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

A presença da Aliança pelo Brasil, partido criado pelo presidente Jair Bolsonaro, nas eleições municipais de outubro deste ano é cada vez mais improvável. Para disputar o pleito, a legenda precisaria estar com seu registro aprovado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 4 de abril, o que dificilmente ocorrerá.

Não à toa, na semana passada, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) defendeu que a Aliança só dispute eleições em 2022. Sua alegação foi a de que assim haveria tempo para selecionar quadros mais adequados, evitando-se repetir os problemas registrados no PSL. Por trás de tal argumentação há o desejo do presidente Jair Bolsonaro de ter um partido sob seu controle, daí a preocupação com um maior “filtro” nas filiações.

Além da justificativa apresentada por Eduardo, há um cálculo político na equação do adiamento: Bolsonaro quer distância das eleições municipais, priorizando sua atuação apenas em cidades estratégicas, como São Paulo e Rio de Janeiro. O adiamento evitaria também uma disputa, já em 2020, entre as lideranças bolsonaristas pelo controle dos diretórios municipais e estaduais do novo partido.

E mais: caso os aliados de Bolsonaro não apresentem um bom desempenho nas urnas, o presidente poderá dizer que tal resultado não representa uma derrota eleitoral, visto que a Aliança não estava presente no pleito.

Claro que a ausência da Aliança pelo Brasil nas urnas este ano também traz desvantagens para Bolsonaro. Por exemplo, não disputando, a legenda chegará sem estrutura partidária às eleições de 2022. Mas poderá contornar essa vulnerabilidade por ser um movimento que transcende as siglas e o presidente, tendo a seu favor a máquina do Planalto e grande força nas redes sociais.

Quanto aos candidatos bolsonaristas que disputarem as eleições este ano, será necessário negociar sua filiação a outras legendas para posteriormente migrarem para a Aliança. O adiamento do registro também mostra a pouca importância que Bolsonaro atribui aos partidos. Não por acaso durante sua carreira trocou de legenda oito vezes.

Ao aceitar ter a Aliança somente nas eleições de 2022, Bolsonaro sinaliza que sua prioridade é criar uma legenda apenas para a campanha da reeleição, deixando questões como estrutura e tempo de TV num plano secundário. Para Bolsonaro e o seu núcleo familiar isso não representa problema, já que possuem uma base social consolidada. Mas pode dificultar da vida dos deputados bolsonaristas que estão no PSL e desejam sair do partido para disputar as eleições de 2022

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