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No entanto, o engajamento que Maia deseja poderá vir de forma errática e pontual

Rodrigo Maia, em evento em São Paulo nesta quinta-feira, reclamou de que o peso das reformas está no Congresso e cobrou maior engajamento do Poder Executivo.  Seria do melhor interesse do país que governo e Legislativo negociassem mais intensamente a agenda das reformas. O pedido de Maia faz todo o sentido.

No entanto, o engajamento que Maia deseja poderá vir de forma errática e pontual. Bolsonaro nunca quis se engajar em negociações diretas e, quando precisou pressionar em favor da reforma da Previdência, usou seus apoiadores e as redes sociais.  Negociar diretamente, para Bolsonaro, seria praticar o “toma lá, da cá” que ele repudia.

A política impõe negociações permanentes. Sem elas, prevalece o conflito. Seria melhor que uma agenda de reformas fosse acordada com os três poderes. Incluindo temas econômicos, fiscais e judiciais.

Vale destacar que, apesar de intensamente criticado, o Congresso vem aprovando uma admirável pauta de reformas que colocará o país em outro patamar.

Na prática, o que vai acontecer com o pedido de Rodrigo Maia?  O governo deve se engajar um pouco mais. O Congresso vai tocar a agenda de reformas de acordo com a sua preferência. Executivo corre o risco de ser, cada vez mais, passageiro do ônibus do Legislativo cujos motoristas escolherão para onde ele vai.

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Murillo de Aragão é advogado, jornalista, professor, cientista político e presidente da Arko Advice Pesquisas e sócio fundador da Advocacia Murillo de Aragão. É Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Distrito Federal (UniCEUB), é mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília e doutor em Sociologia (estudos latino-americanos) pelo Ceppac – Universidade de Brasília. Entre 1992 e 1997 foi pesquisador associado da Social Science Research Council (Nova York). Foi membro do “board” da International Federation of the Periodical Press (Londres) entre 1988 e 2002. Foi pesquisador da CAPES quando doutorando no CEPAC/UnB. É membro da Associação Brasileira de Ciência Política, da American Political Science Association, da Internacional Political Science Association, da Ordem do Advogado do Brasil (Distrito Federal) e do IBRADE - Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral. Foi membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (2007 - 2018). Como membro do Conselho, foi chefe de delegações do organismo na Rússia , BRICs e Comunidade Européia. Como palestrante e analista político, Murillo de Aragão proferiu mais de duas centenas de palestras, nos últimos 20 anos, em Nova York, Miami, Londres, Edimburgo, São Francisco, San Diego, Lisboa, Washington, Boston, Porto, Buenos Aires, Santiago, Lima, Guatemala City, Madrid, Estocolmo, Milão, Roma , Amsterdã, Oslo, Paris, entre outras, para investidores estrangeiros sobre os cenários políticos e conjunturais do Brasil. Aragão lecionou as matérias “Comportamento Político” e “Processo Político e Legislação” no Departamento de Ciência Política da Universidade de Brasília. Foi professor visitante da Universidad Austral, Buenos Aires e consultor do Banco Mundial. É professor-adjunto da Columbia University (Nova York) . Em 2017, foi convidado para ser professor-adjunto na Columbia University (Nova York) onde leciona a cadeira “Sistema Político Brasileiro”. É autor e autor do seguintes livros: Grupos de Pressão no Congresso Nacional (Maltese, 1992), ‘Reforma Política – O Debate Inadiável (Civilização Brasileira, 2014) e Parem as Maquinas (Sulina, 2017). É colunista de opinião da revista Isto É, e do jornal, O Estado de São Paulo.