Adriana Toffetti/A7 Press/Folhapress

A fila de cerca de 2 milhões de pessoas aguardando a concessão de benefícios do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e os recorrentes problemas registrados no Ministério da Educação representam dois grandes desafios para o governo Jair Bolsonaro gerenciar.

Numa tentativa de oferecer respostas à opinião pública, sobretudo aos que estão na fila aguardando a concessão de benefícios do INSS, o Ministério da Economia, através do secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, anunciou na semana passada a saída de Ricardo Vieira do cargo de presidente do INSS. Seu substituto será Leonardo Rolim, até então secretário da Previdência.

Em outro movimento do governo para criar uma agenda positiva que acabe com a fila no INSS, serão chamados, além de militares, servidores aposentados para trabalhar no atendimento dos pedidos de benefícios.

Outro foco de aborrecimentos para o presidente reside no Ministério da Educação (MEC), comandado por Abraham Weintraub. Os problemas registrados no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) em janeiro estão atrasando o acesso às bolsas e criando um novo desgaste para o ministro.

Nos bastidores, cresce a pressão de aliados para que Bolsonaro tire Weintraub do posto. Apesar das polêmicas e dos entraves gerenciais no comando da pasta, um dos fatores que continua segurando Weintraub no MEC é seu prestígio junto à base social conservadora do presidente. Entretanto, como a educação é uma área sensível, sendo uma das principais demandas da população, os fatos recentes aumentam consideravelmente a pressão.

Como as questões no INSS e na educação atingem uma parcela significativa da população, o potencial de desgaste sobre a imagem do governo não deve ser desprezado. É por isso que Bolsonaro operou, através do Ministério da Economia, mudanças no comando do INSS. Também por isso cresce a pressão sobre Weintraub, em especial após as críticas feitas a seu trabalho pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Maia definiu publicamente a gestão de Weintraub como “desastrosa”, o que foi visto como uma sinalização de que projetos defendidos pelo ministro terão sérias dificuldades para avançar no Congresso.

O Palácio do Planalto terá ainda pela frente desafios em outras áreas importantes. Após a demissão de Vicente Santini da Secretaria-Executiva da Casa Civil e a transferência do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) para o Ministério da Economia, há dúvidas quanto à permanência de Onyx Lorenzoni (DEM-RS) à frente da Casa Civil.

Outro desafio é a Secretaria Especial da Cultura. A escolha da atriz Regina Duarte para chefiar a pasta pode representar uma mudança relevante em relação à condução da área cultural pelo governo. Atriz de TV popular, Regina teve sua indicação respaldada por expressivos nomes do meio artístico e cultural, principalmente por pessoas ligadas à Rede Globo. Sua escolha conseguiu, momentaneamente, neutralizar o mau humor do setor com relação ao governo.

O que não se sabe é como a atriz conseguirá conciliar o apoio do meio artístico, caracterizado por posturas mais progressistas e de esquerda, com a base social conservadora do governo, principalmente a dos seguidores do filósofo Olavo de Carvalho.