Foto: Charles Sholl/Estadão Conteúdo

Os 44% dos votos válidos conquistados pelo presidente Jair Bolsonaro no primeiro turno da eleição de 2018 em São Paulo (SP) anima a direita paulistana na disputa de outubro pela Prefeitura da capital paulista.

Desde que o Malufismo perdeu seu protagonismo na cidade, a direita perdeu espaço nas eleições em SP (ver tabela abaixo).

ANO CANDIDATO DA DIREITA RESULTADO
1985 Jânio Quadros (PTB) Venceu em 1o turno com 37,53% dos votos válidos
1988 Paulo Maluf (PDS) Ficou em 2olugar com 24,45% dos votos válidos
1992 Paulo Maluf (PDS) Venceu no 2oturno com 52,19% dos votos válidos
1996 Celso Pitta (PPB) Venceu no 2oturno com 57,37% dos votos válidos
2000 Paulo Maluf (PPB) Ficou em 2olugar com 41,49% dos votos válidos
2004 Paulo Maluf (PP) Ficou em 3olugar com 11,91% dos votos válidos
2008 Paulo Maluf (PP) Ficou em 4olugar com 5,91% dos votos válidos
2012 Celso Russomanno (PRB) Ficou em 3olugar com 21,60% dos votos válidos
2016 Celso Russomanno (PRB) Ficou em 3olugar com 13,64% dos votos válidos

 

Após eleger o hoje falecido ex-prefeito Celso Pitta em 1996, o Malufismo entrou em decadência, sendo substituído pelo PSDB como protagonista no polo de oposição ao PT na capital.

O declínio eleitoral do Malufismo esteve muito ligado a uma promessa de Paulo Maluf na campanha de 1996. Naquela oportunidade, diante das dificuldades de Pitta para alavancar sua candidatura, Maluf afirmou que “nunca mais os eleitores precisavam votar nele caso Pitta não fosse um bom prefeito”.

Após realizar uma administração muito mal avaliada, Celso Pitta acabou inviabilizando o Malufismo. Em 2000, 2004 e 2008, Paulo Maluf foi candidato, mas acabou encolhendo eleição após eleição.

A força registrada pelo bolsonarismo e a base social que ele possui na capital paulista criam um espaço para a direita voltar a ser competitiva. Não é por acaso que está em curso uma disputa pelo eleitorado de Bolsonaro.

Além da deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), que mesmo rompida com o presidente transita junto ao eleitorado liberal-conservador, estão no páreo o ex-secretário municipal Filipe Sabará (NOVO), o deputado Marco Feliciano (sem partido), o deputado estadual Arthur do Val, Mamãe Falei (Sem partido).

O apresentador da TV Bandeirantes, José Luiz Datena (Sem partido), também está na bolsa de apostas como alternativa.

Um desafio que a direita terá na disputa pela Prefeitura de São Paulo é evitar uma excessiva fragmentação. Vale recordar que nas campanhas vitoriosas de 1985, 1992 e 1996, quando o campo conservador foi vitorioso, sempre houve um candidato forte representando a direita (Jânio Quadros em 85, Paulo Maluf em 92 e Celso Pitta em 96).

Quem torce pela pulverização da direita é o prefeito e candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB). Como a esquerda também deverá se fragmentar, Covas aposta que com os extremos divididos sua aposta em se posicionar ao centro poderá funcionar.

Apesar do desejo de Covas, está aberto no tabuleiro o espaço para uma candidatura conservadora, principalmente se tiver o presidente Jair Bolsonaro como cabo eleitoral.

Porém, apesar do prestígio de Bolsonaro junto ao eleitorado conservador, é importante observar que historicamente o apoio do presidente da República não tem sido decisivo nas eleições na capital paulista (ver tabela abaixo).

ANO PRESIDENTE QUEM APOIOU QUEM VENCEU
1996 FHC (PSDB) José Serra (PSDB) Celso Pitta (PPB)
2000 FHC (PSDB) Geraldo Alckmin (PSDB) Marta Suplicy (PT)
2004 Lula (PT) Marta Suplicy (PT) José Serra (PSDB)
2008 Lula (PT) Marta Suplicy (PT) Gilberto Kassab (DEM)
2012 Dilma Rousseff (PT) Fernando Haddad (PT) Fernando Haddad (PT)
2016 Michel Temer (PMDB) Marta Suplicy (PMDB) João Doria (PSDB)

Nas últimas seis disputas eleitorais em São Paulo, apenas em 2012 o candidato apoiado pela presidente da época foi vitorioso. Isso não significa que ter Jair Bolsonaro como cabo eleitoral seja desprezível. Porém, o caráter mais local que nacional das eleições municipais pode neutralizar a força do bolsonarismo.