Foto: Marcos Corrêa/PR

A manifestação do presidente Jair Bolsonaro admitindo a recriação do Ministério da Segurança Pública – o que posteriormente foi descartada pelo próprio Bolsonaro — em uma reunião com secretários estaduais da área, acabou provocando um novo ruído na relação com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

Mesmo que a pauta tenha sido levada pelo secretário estaduais, o presidente, inicialmente, deixou o tema ser debatido publicamente.

Como consequência, foi construída a narrativa que a medida representaria um esvaziamento de poder de Moro, que vem conquistando resultados positivos no comando de sua pasta, principalmente na redução dos índices de homicídios.

Coincidência ou não, o debate em torno do desmembramento da área de segurança pública do Ministério da Justiça ocorre dias após a participação de Sergio Moro no programa “Roda Viva”.

Mesmo que Sergio Moro tenha demonstrado, até agora, fidelidade ao presidente Jair Bolsonaro, o ministro é visto como um potencial presidenciável.

A discussão sobre a recriação do Ministério da Segurança Pública representou também um movimento da ala ideológica para “controlar” o crescimento de Sergio Moro dentro do governo, pois os chamados “olavistas” veriam com preocupação a sombra que Moro faz ao presidente.

O recuo de Bolsonaro, afirmando que a chance do Ministério da Segurança Pública ser recriado é “zero”, afasta momentaneamente os rumores sobre uma eventual saída de Moro do governo. Mas não elimina o mal-estar.

Porém, o episódio acabou causando um desgaste interno e de imagem na opinião pública para o governo desnecessário.

Há quem veja a especulação como um “recado” do presidente e da ala para Moro. Independente das motivações, o episódio pode ter afastado um pouco mais a chamada base social lavajatista do bolsonarismo.

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Murillo de Aragão é advogado, jornalista, professor, cientista político e presidente da Arko Advice Pesquisas e sócio fundador da Advocacia Murillo de Aragão. É Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Distrito Federal (UniCEUB), é mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília e doutor em Sociologia (estudos latino-americanos) pelo Ceppac – Universidade de Brasília. Entre 1992 e 1997 foi pesquisador associado da Social Science Research Council (Nova York). Foi membro do “board” da International Federation of the Periodical Press (Londres) entre 1988 e 2002. Foi pesquisador da CAPES quando doutorando no CEPAC/UnB. É membro da Associação Brasileira de Ciência Política, da American Political Science Association, da Internacional Political Science Association, da Ordem do Advogado do Brasil (Distrito Federal) e do IBRADE - Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral. Foi membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (2007 - 2018). Como membro do Conselho, foi chefe de delegações do organismo na Rússia , BRICs e Comunidade Européia. Como palestrante e analista político, Murillo de Aragão proferiu mais de duas centenas de palestras, nos últimos 20 anos, em Nova York, Miami, Londres, Edimburgo, São Francisco, San Diego, Lisboa, Washington, Boston, Porto, Buenos Aires, Santiago, Lima, Guatemala City, Madrid, Estocolmo, Milão, Roma , Amsterdã, Oslo, Paris, entre outras, para investidores estrangeiros sobre os cenários políticos e conjunturais do Brasil. Aragão lecionou as matérias “Comportamento Político” e “Processo Político e Legislação” no Departamento de Ciência Política da Universidade de Brasília. Foi professor visitante da Universidad Austral, Buenos Aires e consultor do Banco Mundial. É professor-adjunto da Columbia University (Nova York) . Em 2017, foi convidado para ser professor-adjunto na Columbia University (Nova York) onde leciona a cadeira “Sistema Político Brasileiro”. É autor e autor do seguintes livros: Grupos de Pressão no Congresso Nacional (Maltese, 1992), ‘Reforma Política – O Debate Inadiável (Civilização Brasileira, 2014) e Parem as Maquinas (Sulina, 2017). É colunista de opinião da revista Isto É, e do jornal, O Estado de São Paulo.