Foto: Carolina Antunes/PR/Flickr

A decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, de determinar que os recursos do Fundo Nacional de Segurança sejam liberados aos governos estaduais abre espaço para o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, fortalecer sua imagem positiva numa área estratégica.

A partir da decisão de Toffoli, Moro pediu ao Ministério da Economia R$ 1 bilhão em 2020 na forma de créditos extraordinários. Como se trata de uma decisão judicial, restará à Secretaria de Orçamento Federal, vinculada à pasta da Economia, liberar os recursos.

Dessa forma, Moro, além de dispor de grandes recursos para intensificar a implementação de políticas de sua pasta na área da segurança pública, conseguirá fortalecer seu trânsito entre os governadores, que serão diretamente beneficiados.

O aumento das ações do governo na área da segurança, que é uma das demandas da opinião pública, tem potencial para aumentar a importância de Moro como pilar de sustentação do governo Bolsonaro.

Com o ministério tendo mais recursos à sua disposição, Moro terá mais espaço para consolidar sua marca como ministro. Apesar de ser o nome mais bem avaliado do governo até agora, esse prestígio vem muito do capital político acumulado por Moro na época em que foi juiz da Lava-Jato.

Com mais recursos para liberar aos governadores, Moro, além de transitar pelo país, terá a possibilidade de quebrar resistências ao seu nome junto ao establishment. O fortalecimento de sua imagem significa também uma vitória para Bolsonaro, que recentemente afirmou que o ministro da Justiça poderá ser o candidato a vice na sua chapa em 2022.

Embora Moro também apareça na bolsa de apostas como presidenciável, a hipótese de ele sair candidato contra Bolsonaro é remota na atual conjuntura. Uma eventual chapa Bolsonaro-Moro seria muito competitiva. Sobre isso vale observar a força do presidente e do ministro junto a segmentos estratégicos do eleitorado bolsonarista/lavajatista.

Uma pesquisa Datafolha divulgada no final de dezembro sobre a confiança em diferentes personalidades políticas apontou que somando as notas 9 e 10 – grau máximo de confiança – Bolsonaro e Moro são populares na faixa acima de 10 salários mínimos, ensino superior completo, evangélicos e habitantes da Região Sul (ver tabela abaixo).

SEGMENTOS BOLSONARO
(%)
MORO
(%)
CONFIANÇA  (%) 22 33
MAIS DE 10 SM (%) 25 54
ENSINO SUPERIOR  (%) 20 37
EVANGÉLICOS (%) 39 36
SUL  (%) 27 43

*Fonte: Datafolha

Ainda que remota, uma eventual candidatura de Moro ao Palácio do Planalto não deve ser totalmente descartada. Tal hipótese pode ganhar força, porém, se Bolsonaro estiver mal avaliado ou desistir de disputar a reeleição, o que é pouco provável hoje.

Especulações à parte, o fato é que Moro – juntamente com o ministro da Economia, Paulo Guedes – dispõe de um importante espaço no tabuleiro para consolidar cada vez mais sua posição como pilar de sustentação do governo Bolsonaro.

Quem se fortalece com isso é Bolsonaro, já que Moro e Guedes, a partir do fortalecimento de áreas estratégicas como a segurança pública e a economia, são polos de sustentação do projeto de poder bolsonarista.

Compartilhe