Foto: Prefeitura de São Paulo

O prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou na semana passada, durante entrevista à rádio CBN, que será candidato à reeleição nas eleições municipais de outubro. Além de confirmar que estará na disputa, Covas emitiu sinais de qual será seu posicionamento no tabuleiro.

O prefeito declarou na entrevista que vai buscar o maior arco de alianças partidárias possível, dialogando com a esquerda e a direita. Entre os partidos mencionados por Covas para uma eventual aliança foram citados o PSB, REDE, CIDADANIA, PP, PRB e PL. 

Ao menos por enquanto, Bruno Covas evitou comentar o nome de seu vice. Cotada para uma eventual composição com Covas, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) também é pré-candidata a prefeita e, por enquanto, resiste em ser vice. 

Além de Joice, outro nome defendido pelos tucanos como um eventual vice de Covas é o deputado federal Celso Russomanno (REPUBLICANOS-SP). 

O anúncio antecipado da candidatura de Bruno Covas é visto no PSDB como uma forma do prefeito demarcar seu espaço no tabuleiro. Como a presença de Covas no pleito depende do resultado do tratamento do câncer que ele está realizando, alternativas ao prefeito são especuladas nos bastidores do partido. 

Embora não seja assumida publicamente, o governador João Doria (PSDB) gostaria que o plano B seja Joice Halsselmann. Porém, os tucanos históricos têm preferência pelo nome do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Independente de quem será o candidato do PSDB, o partido terá uma eleição difícil pela frente em São Paulo. Além da gestão Bruno Covas ser mal avaliada, o partido carrega a marca negativa da renúncia de João Doria em 2018 para ser candidato a governador. 

Além desses fatores, a conjuntura eleitoral mostra dificuldades para candidatura do PSDB ter um posicionamento no tabuleiro. Como as bases sociais bolsonaristas estão bastante consolidadas na capital paulista, a tendência é que o nome conservador que for apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro tenha boas possibilidades de chegar ao segundo turno.


Neste cenário, resta ao PSDB buscar um posicionamento mais ao centro. O problema é que com um nome bolsonarista consolidado, a esquerda, principalmente o PT, tende a polarizar a eleição com o candidato de Bolsonaro.

Assim, restaria a Covas torcer para que a esquerda continue dividida na capital, o que fragmentaria essa fatia do eleitorado, aumentando as possibilidades do PSDB chegar ao segundo turno.

Mais do que o controle do município mais cobiçado do país devido a sua visibilidade política e poder financeiro, estará em jogo em outubro as pretensões presidenciais do governador João Doria. 

Embora uma derrota do PSDB na capital não tire Doria da disputa de 2022 ao Palácio do Planalto, o peso simbólico do revés eleitoral em São Paulo seria significativo, pois reforçaria a leitura que os tucanos perderam o protagonismo no jogo político nacional, que hoje tem o bolsonarismo e o lulismo como principais polos estruturantes.

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