Foto: Sérgio Lima/PODER 360

Durante um evento ocorrido em Brasília na semana passada com oficiais-generais, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que as Forças Armadas são a grande âncora de seu governo. Num gesto aos generais, enalteceu o que classificou como “realizações do período militar”.

Mesmo com os embates protagonizados, no início da gestão Bolsonaro, pelos militares e pela chamada ala ideológica do governo, o respaldo das Forças Armadas continua sendo estratégico para o presidente. Sem um partido orgânico para lhe dar sustentação, o respaldo é importante pela experiência que os generais possuem.

Prova dessa importância tem sido o papel exercido pelo vice-presidente da República, general Hamilton Mourão. Após adotar uma postura pragmática durante a crise na Venezuela e ser fundamental nos recados positivos enviados à China, Mourão foi novamente estratégico ao representar o Brasil na posse do presidente da Argentina, Alberto Fernández, garantindo que a relação comercial entre os dois países continue a ter o pragmatismo como característica.

Além de Mourão, os ministros do Gabinete da Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, e o capitão Tarcísio Gomes de Freitas, da Infraestrutura, são peças fundamentais para Bolsonaro, que conta ainda com duas âncoras: os ministros Paulo Guedes e Sérgio Moro. Vale recordar que tanto Guedes quanto Moro, além de comandarem as relevantes áreas da economia e da segurança pública, respectivamente, desfrutam de alto prestígio popular, o que é positivo para o governo.

Segundo o último Datafolha, Guedes é avaliado como um ministro “ótimo/bom” por 39% dos entrevistados; Moro, por sua vez, é ainda mais popular, tendo 53% de avaliação positiva, superando o índice positivo do presidente (30%).

Embora não tenha o mesmo peso de Guedes e Moro, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, tem uma popularidade de 43%, sendo a segunda integrante da equipe ministerial mais bem avaliada. Isso mostra a importância que a pauta de costumes e o eleitorado evangélico possuem. Pois, além de defender o conservadorismo moral, Damares é evangélica, segmento que sustenta uma das bases sociais do bolsonarismo.

Diante dos problemas que Bolsonaro enfrenta na relação com o seu partido, o PSL, contar com âncoras como as Forças Armadas e ministros como Guedes, Moro e Damares cria uma boa blindagem para a sua imagem.