Foto: Evaristo SA/AFP

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ocupou com grande eficiência o espaço disponível neste primeiro ano do governo Jair Bolsonaro. Após despontar no Congresso como um dos principais players da Reforma da Previdência, mostra agilidade em sua movimentação diplomática, o que deverá ampliar sua força na política nacional.

Depois de, na semana passada, ter ido a Buenos Aires para se encontrar com o presidente da Argentina, Alberto Fernández, Maia começa a realizar, na próxima quarta-feira (18), um giro pela Europa com uma agenda de reuniões com representantes de organismos internacionais. A meta é estreitar laços com líderes europeus que se afastaram de Bolsonaro.

Maia terá encontro com o representante da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevedo, a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, hoje comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para Direitos Humanos, e o presidente do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab.

Também se reunirá com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder, e o diretor-geral da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), Francis Gurry.

A viagem é importante para Maia não apenas pela questão política, mas também por representar um gesto fundamental para a economia brasileira. Diante dos embates que alguns líderes europeus tiveram com Bolsonaro nos últimos meses, em particular o presidente da França, Emmanuel Macron, e a presidente da Alemanha, Angela Merkel, um diálogo desses líderes com Bolsonaro ficou comprometido no curto prazo, sobretudo após o presidente brasileiro endossar posições críticas ao chamado “globalismo” que é defendido pela ala ideológica do governo Bolsonaro.

Assim, a passagem de Maia pela Europa também servirá para enviar mensagens positivas à área econômica, em especial quanto ao compromisso do Brasil com a agenda de reformas, para que a atração de investimentos externos chegue ao país numa intensidade cada vez maior.

Do ponto de vista político, a movimentação internacional de Maia aumentará sua projeção. Aliás, não por acaso seu nome já é mencionado como potencial candidato a vice-presidente da República em 2022. A movimentação também contribui para demarcar diferenças em relação ao bolsonarismo. Como o PSDB e o governador tucano de São Paulo, João Doria, Maia e seu partido, o DEM, buscam um certo distanciamento do governo ao mesmo tempo em que representam atores estratégicos para o andamento das reformas.