Foto: Divulgação/BeefPoint

Dados do Ministério do Comércio da China apontam que o país asiático estimulará ainda mais as importações de carne, o que potencialmente leva o total importado a um patamar superior a 6 milhões de toneladas este ano. Desse montante, 3 milhões de toneladas estão relacionadas às importações de carne suína e aos produtos relacionados.

O governo chinês pretende, com essa medida, aumentar o abastecimento de carne e estabilizar os preços, pois febre suína africana afeta o mercado de carne suína. Para tanto, continuará liberando reservas de suínos a fim de melhorar as relações entre a produção e as vendas e de divulgar informações de mercado de forma oportuna.

Em razão de uma série de medidas, os preços da carne suína na China estão diminuindo: na última semana, os preços médios no atacado das 36 principais cidades do país sofreram queda de 8,6% ante a semana anterior.

Já o Brasil, maior exportador global de carne bovina que fatura com a maior demanda da China, vê os seus consumidores pagando mais pelo produto nos açougues e os frigoríficos sofrendo pressão para fazer ofertas recordes por bois nas fazendas. Isso porque a fome chinesa para equacionar o problema da peste suína africana na criação de porcos reflete setorialmente nos índices de inflação no Brasil e ainda pressiona margens da maior parte dos frigoríficos do país.

Segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), o impulso dos chineses, que elevaram as compras de carne bovina do Brasil em 23,6% de janeiro a outubro para cerca de 320 mil toneladas, fez com que o Brasil exportasse 11% mais no período, para 1,47 milhão de toneladas. Some-se a essa forte demanda da China, um dólar em máximas históricas frente ao real, o que favorece também as exportações, em detrimento das vendas nacionais.

Turquia e Indonésia aparecem também como novos mercados que ganharam espaço no setor de carnes do país, ao lado de russos e chineses, que vêm realizando a habilitação de mais frigoríficos brasileiros para exportação. De acordo com a Abrafrigo, os movimentos de altas dos preços ganharam força em agosto e atingiram um ponto irreversível em outubro.

O aumento do preço da carne observado nos últimos meses pode se estender também por 2020, ao menos nos primeiros meses do ano, de acordo com especialistas em comércio exterior e inflação. Eles estimam que os graves problemas que atingiram a extraordinária produção de porcos na China, que tem comprado mais carne do Brasil e desabastecido o mercado brasileiro, ainda estão longe do fim.

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) afirma que, em menos de três meses, o custo do contrafilé subiu 50% para os supermercados; o do coxão mole, 46%; e por isso o aumento foi repassado aos consumidores.

Na avaliação da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, os preços mais altos vieram para ficar. Segundo ela, atualmente o mercado está sinalizando que os preços da carne bovina, que estavam deprimidos, mudaram de patamar.

Contudo, o presidente da República, Jair Bolsonaro, ao garantir que seu governo não irá tomar medidas de controle de preço e defender o livre mercado, afirmou que daqui a pouco o valor do produto voltará ao normal.

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