Marcos Santos/USP Imagens
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As possibilidades de crescimento em 2019 estão limitadas apesar do sucesso esperado com a reforma previdenciária, a cessão onerosa dos campos de petróleo e o prosseguimento do programa de concessões e privatizações. Deveremos crescer pouco mais do que 1,5% do PIB. Já é hora de pensar em 2020.

De fato existem condições positivas para um desempenho melhor: juros baixos, inflação sob controle, capacidade ociosa da indústria, reservas cambiais expressivas e aumento de investimentos em infraestrutura e no setor petrolífero e de telecomunicações. O quadro será ainda melhor caso o Congresso aprove uma boa Reforma da Previdência, como se espera.

Outros vetores impulsionam os prognósticos para o ano que vem. O principal deles é o desejo de o Congresso Nacional prosseguir aprovando matérias relevantes de uma agenda de modernização econômica. Mesmo com conflitos políticos entre o Poder Executivo e o Legislativo, existe uma convergência de visões no que tange às reformas constitucionais e infraconstitucionais Temos uma janela de oportunidades, por conta da disputa eleitoral, até junho do ano que vem, para avançar com essa agenda.

Em 2020, ano de eleições municipais, no primeiro semestre, obras serão entregues e, para tal, demandarão gastos e empregos. No segundo semestre, as campanhas eleitorais podem aquecer a cena econômica. São fatores que podem impulsionar os negócios.

Portanto, poderá ser um ano de melhor desempenho em relação ao que se encerra. Para tal, o governo deverá buscar alguns caminhos. Avançar em agendas simplificadoras e “desburocratizantes” para quem deseja investir. Prosseguir estimulando a queda na taxa de juros e atuando de forma incisiva para reduzir o spread bancário. Ter uma estratégia consistente de captação de investimentos estrangeiros para o País. Buscar reduzir, em um pacto com o Judiciário, o risco jurídico que fragiliza as relações negociais no Brasil. Atuar decisivamente para reduzir o risco regulatório disciplinando o funcionamento das agências reguladoras. Estimular a competição no sistema financeiro e na oferta de crédito.

O governo Bolsonaro, como nenhum outro, tem se mostrado disposto a enfrentar o monstro burocrático que atormenta o cidadão brasileiro. A grande imprensa, mesmo em pé de guerra com a administração federal, aprova as reformas. E, como frisei, existe uma vocação reformista do Congresso Nacional. Apesar dos solavancos de sempre, o Brasil terá condições de viver um ano economicamente melhor em 2020. Que assim seja.

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Murillo de Aragão é advogado, jornalista, professor, cientista político e presidente da Arko Advice Pesquisas e sócio fundador da Advocacia Murillo de Aragão. É Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Distrito Federal (UniCEUB), é mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília e doutor em Sociologia (estudos latino-americanos) pelo Ceppac – Universidade de Brasília. Entre 1992 e 1997 foi pesquisador associado da Social Science Research Council (Nova York). Foi membro do “board” da International Federation of the Periodical Press (Londres) entre 1988 e 2002. Foi pesquisador da CAPES quando doutorando no CEPAC/UnB. É membro da Associação Brasileira de Ciência Política, da American Political Science Association, da Internacional Political Science Association, da Ordem do Advogado do Brasil (Distrito Federal) e do IBRADE - Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral. Foi membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (2007 - 2018). Como membro do Conselho, foi chefe de delegações do organismo na Rússia , BRICs e Comunidade Européia. Como palestrante e analista político, Murillo de Aragão proferiu mais de duas centenas de palestras, nos últimos 20 anos, em Nova York, Miami, Londres, Edimburgo, São Francisco, San Diego, Lisboa, Washington, Boston, Porto, Buenos Aires, Santiago, Lima, Guatemala City, Madrid, Estocolmo, Milão, Roma , Amsterdã, Oslo, Paris, entre outras, para investidores estrangeiros sobre os cenários políticos e conjunturais do Brasil. Aragão lecionou as matérias “Comportamento Político” e “Processo Político e Legislação” no Departamento de Ciência Política da Universidade de Brasília. Foi professor visitante da Universidad Austral, Buenos Aires e consultor do Banco Mundial. É professor-adjunto da Columbia University (Nova York) . Em 2017, foi convidado para ser professor-adjunto na Columbia University (Nova York) onde leciona a cadeira “Sistema Político Brasileiro”. É autor e autor do seguintes livros: Grupos de Pressão no Congresso Nacional (Maltese, 1992), ‘Reforma Política – O Debate Inadiável (Civilização Brasileira, 2014) e Parem as Maquinas (Sulina, 2017). É colunista de opinião da revista Isto É, e do jornal, O Estado de São Paulo.