Renato Pajuelo / Andina / AFP

O sistema político do Peru está em crise. Marcado pela rivalidade entre o Poder Executivo, liderado pelo presidente Martín Vizcarra, e o Congresso, fiel ao ex-presidente Alberto Fujimori, uma série de acontecimentos marcantes ocorreram nos últimos dias no país sul americano. Importante lembrar que o sistema peruano é unicameral, portanto, o Legislativo é composto apenas por uma casa, onde 130 parlamentares atuam. 

Na última semana, o presidente Vizcarra dissolveu o Congresso e logo em seguida, convocou novas eleições. Os parlamentares peruanos votaram pela suspensão de Vizcarra e nomearam a vice, Mercedes Aráoz, para dar continuidade aos trabalhos. No entanto, a vice renunciou nesta terça-feira (1) e também requisitou novas eleições. 

A crise atual é também um reflexo das investigações por corrupção vigentes no país. Delações referentes à Odebrecht, por exemplo, geraram uma instabilidade política. Os membros do Tribunal Constitucional do país são escolhidos pelo Congresso e na última sexta-feira (27), Vizcarra apresentou um projeto que alterava a forma de escolhê-los, tornando públicos os debates e entrevistas do processo de seleção. O projeto foi apresentado junto à uma questão de confiança.

O Congresso manteve a seleção de acordo com a forma original, e depois iriam avaliar a questão de confiança. Este mecanismo significa que o Executivo pode consultar o Legislativo sobre haver ou não confiança dos parlamentares para continuar governando. Ao ter sua proposta deixada de lado, o presidente dissolveu o congresso baseado no artigo 134 da Constituição peruana, que garante a dissolução do Legislativo caso  “este tenha censurado ou negado duas questões de confiança do Conselho de ministros”. O futuro político do país é imprevisível. 

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