Marcos Corrêa/PR

Em meio aos rumores sobre um eventual afastamento entre o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, devido a uma série de divergências que têm vindo a público, ambos realizaram certos movimentos com o objetivo de transparecer um clima de entendimento entre eles.

Durante o lançamento do projeto Em Frente, Brasil (um pacote de medidas elaborado pela equipe de Moro que visa combater a criminalidade ), Bolsonaro definiu o ministro mais popular de seu governo como um “patrimônio nacional”. Num gesto que pretendeu denotar prestígio, citou Moro cinco vezes em seu discurso.

O presidente foi além, ao agradecer ao ministro ter aberto mão “de 22 anos de magistratura não para entrar em uma aventura, mas para entrar na certeza de que todos nós juntos podemos, sim, fazer melhor pela nossa pátria”.

Bolsonaro ainda desceu a rampa interna do Planalto ao lado do ministro e, num aceno ao público, fez questão de abraçá-lo. Depois, uma foto em que ambos aparecem juntos foi postada por Bolsonaro, Moro e outros ministros nas redes sociais.

Apesar dos ruídos na relação entre ambos, o ato da semana passada reforça que um depende do outro. Bolsonaro necessita da presença de Moro no governo não apenas por conta de sua importância numa área sensível, como a da segurança pública, mas também porque se trata de um ministro com forte apelo popular. Assim, uma eventual saída de Moro do governo, além de dividir a base bolsonarista, traria grande desgaste a Bolsonaro.

Moro, por sua vez, mesmo sendo popular, depende de Bolsonaro, em especial depois que o presidente passou a defendê-lo após o desgaste registrado por Moro diante dos vazamentos publicados pelo site The Intercept Brasil de supostas conversas do então juiz com integrantes da força-tarefa da Operação Lava-Jato.

Apesar do clima amistoso exibido na semana passada, a relação entre ambos pode, porém, voltar a emitir ruídos. Isso porque podem voltar a gerar polêmica questões de agenda como o veto de Bolsonaro a trechos do projeto de abuso de autoridade, as mudanças pretendidas pelo Planalto em órgãos estratégicos para o combate à corrupção (Polícia Federal, Receita Federal, Coaf) e o clima de desconfiança que parte do Congresso mantém em relação a Moro.

Atento aos acontecimentos, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que parece se distanciar cada dia mais de Bolsonaro e que busca ocupar um espaço ao centro no tabuleiro político, tem emitido mensagens de que Moro, caso saia do governo, teria um lugar no Palácio dos Bandeirantes.

Vendo tais recados de Doria, Bolsonaro subiu o tom contra o governador na transmissão de sua tradicional live no Facebook, afirmando que o governador paulista “mamou em governos petistas”.