Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Operação Spoofing, deflagrada pela Polícia Federal, prendeu temporariamente, na última quarta-feira (24), quatro pessoas acusadas de invadir os celulares do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e do chefe da força-tarefa da Operação Lava-Jato, o procurador da República Deltan Dallagnol.

Após a detenção dos hackers, foi revelado que celulares do presidente Jair Bolsonaro, do ministro da Economia, Paulo Guedes, do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio de Noronha, e dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também foram invadidos.

A detenção representa uma vitória para a narrativa de Moro, que, desde a divulgação das mensagens atribuídas a ele pelo site The Intercept Brasil, tem classificado o episódio de operação criminosa (o Site The Intercept divulgou mensagens entre Moro e Dallagnol sobre a Operação Lava-Jato, acusando o então juiz de orientar a força tarefa, conduta vedada pela Constituição). A narrativa de Moro vai na mesma linha da de Dallagnol, que também tem denunciado a ação criminosa dos hackers.

Como consequência da prisão, as mensagens que vêm sendo divulgadas no The Intercept, por meio do jornalista Gleen Greenwald, perdem considerável credibilidade, sobretudo depois que um dos hackers, o DJ Gustavo Henrique Elias Santos, reconheceu, através de seu advogado, que sua intenção era vender as mensagens do celular de Moro ao PT. Sem falar que os envolvidos possuem um histórico de crimes.

Além do The Intercept, a operação da Polícia Federal pode trazer problemas para o PT, pois os defensores de Moro, da Lava-Jato e do governo devem procurar relacionar a ação criminosa a supostos interesses do PT no episódio. Devem surgir ainda questionamentos sobre quem teria financiado essas atividades ilegais.

Talvez antecipando tal fato, um dos presos na operação, Walter Delgatti Neto, disse que encaminhou as mensagens a Greenwald de forma anônima e voluntária, sem cobrança financeira. Como também foi divulgado que os celulares de outras autoridades foram atingidos, tende a ocorrer certa união entre as vítimas contra os hackers, o que acaba sendo positivo para Moro, que foi bastante questionado quando surgiram as primeiras matérias no The Intercep sobre o tema.

Quem também foi atingida negativamente com o episódio foi a ex-deputada Manuela D’Ávila (PCdoB), que concorreu à vice-presidente na chapa de Fernando Haddad (PT) na última eleição.

Conforme o divulgado pela imprensa e confirmado por Manuela, a ex-deputada intermediou o contato entre Walter Delgatti Neto e Gleen Greenwald.

Embora a conduta de Moro enquanto juiz da Lava-Jato ainda possa ser questionada por setores da oposição e do meio jurídico, entre a opinião pública sua narrativa deve se fortalecer. Como consequência, o ministro deve conseguir neutralizar o desgaste que o conteúdo das mensagens provocou em torno de seu nome.

Por outro lado, perde ainda mais força a narrativa do ex-presidente Lula, preso desde abril de 2018, e do PT sobre a existência de uma “conspiração política liderada por Moro, Dallagnol e a Lava-Jato” contra o ex-presidente.

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