Na semana passada, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que o governo se enfraqueceu após a apresentação, em junho, da primeira denúncia contra o presidente Michel Temer pela Procuradoria-Geral da República (PGR), por corrupção passiva.

Levantamento da Arko Advice mostra que sua avaliação está correta. O apoio do governo na Casa em agosto foi de 43,8%, o mais baixo desde dezembro do ano passado (42,57%).

O estudo foi feito a partir da análise de 24 votações nominais e abertas ocorridas na Câmara ao longo do mês passado.

Em termos partidários, foi generalizada a queda do apoio. O percentual caiu em 20 das 25 legendas com representantes na Casa. Grande parte dessa queda se deu pelo aumento do número de ausências. Apenas nas legendas PDT e PEN houve variação positiva.

No PSDB, a queda do apoio de julho para agosto foi de 11,56%. No PMDB, partido do presidente, foi de 13,38%.

Vale ressaltar que, apesar da queda no percentual de adesão ao governo, o Planalto saiu vitorioso nas principais votações ocorridas no período. Além da própria denúncia contra o presidente Michel Temer, que foi rejeitada, o governo teve outros resultados positivos.

Aprovou a Medida Provisória nº 777/17, que criou a Taxa de Longo Prazo (TLP), garantiu a manutenção de vetos importantes e aprovou as novas metas fiscais de 2017 e 2018.

Em parte, a queda no apoio se relaciona à pressão de aliados por mais espaço no governo. É, portanto, situação contornável. Mas fica evidente, aqui, a dificuldade que o governo terá para garantir apoio suficiente para aprovar a Reforma da Previdência. Afinal, trata-se de Emenda Constitucional, o que requer o apoio de 3/5 (308 votos) da Câmara.

Com relação à denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve apresentar contra o presidente Temer, a tendência continua sendo de rejeição pela Câmara. Em especial, após a divulgação de gravações que colocam sob suspeição o acordo de delação assinado entre a JBS e a PGR.