A manifestação do presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), de que o país “caminha para a ingovernabilidade” trouxe novamente para a agenda o debate sobre a continuidade ou não do partido na base do governo Michel Temer (PMDB), tensionando mais uma vez o clima interno no ninho tucano.

Tasso foi além, ao avaliar que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que assumiria provisoriamente o Palácio do Planalto caso Temer deixe o comando do país, poderia garantir a governabilidade até as eleições de 2018.

A manifestação de Tasso Jereissati representa uma mudança de postura do PSDB, pois até então o partido não via com bons olhos uma eventual gestão de Maia, nem provisoriamente. Mais do que isso, ao falar publicamente sobre o “projeto Maia”, Tasso sinaliza que o movimento em favor do desembarque do PSDB da base aliada pode crescer.

Líderes divididos

Porém, o cenário interno hoje mostra um PSDB dividido. Logo após a manifestação de Tasso, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), classificou de “inoportunos os recentes ataques de dirigentes do PSDB ao presidente da República, Michel Temer”, num claro recado à declaração de Tasso.

Além da discussão sobre a continuidade ou não do PSDB na base, outro problema a ser gerenciado pelos tucanos é o retorno de Aécio Neves (PSDB-MG) ao Senado Federal. Com a recente decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello de autorizar Aécio a reassumir seu mandato, o tucano começa a trabalhar nos bastidores para reassumir o comando nacional do PSDB.

Diretório Paulista

O problema é que o diretório do PSDB de São Paulo se opõe ao retorno de Aécio ao comando da legenda. Na semana passada, por exemplo, o prefeito da capital paulista, João Doria (PSDB), considerado um potencial candidato ao Planalto, defendeu a saída definitiva de Aécio da presidência do PSDB.

Por trás desse movimento de Doria, respaldado pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), está o desejo dos tucanos paulistas de retomar o controle do diretório nacional da sigla, fundamental para estabelecer as regras que definirão o candidato do PSDB ao Palácio do Planalto em 2018. Em outras palavras, controlar a presidência do partido significará controlar o processo de escolha do presidenciável tucano no próximo ano.

Além disso, ao defender o afastamento definitivo de Aécio, os líderes do PSDB também querem tentar se descolar da imagem negativa que o senador mineiro representa sobre a sigla.

A resolução desses dilemas internos será fundamental não apenas para o PSDB, mas também para o país, já que o partido é o mais importante da base depois do PMDB. O rumo a ser tomado pelo PSDB na votação da denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Michel Temer será essencial para definir o destino político do presidente. Aliás, nos bastidores de Brasília já se comenta que os tucanos poderiam deixar o governo após a aprovação da Reforma Trabalhista no Senado, o que poderia deixar Temer mais fragilizado.