O Julgamento de Nuremberg deve ter sido o mais importante Tribunal de todos os tempos. Representantes dos quatro países vencedores da Segunda Guerra Mundial indicaram oito magistrados para julgar 117 acusados dos mais diversos crimes no grande conflito militar. Funcionou entre 20 de novembro de 1945 e 1º de outubro de 1946. Colocou alguns pendurados na forca, Ribbentrop por exemplo, Goring, o adiposo comandante de Luftwafe cometeu suicídio depois de sentenciado à morte. Condenou outros. Karl Donitz comandante da Marinha nazista foi sentenciado a dez anos de prisão. O Tribunal se dissolveu porque as prioridades se modificaram.

Há um filme, naturalmente chamado O Julgamento de Nuremberg, de 1961, do diretor Stanley Kramer e o ator principal é Spencer Tracy, que explica bem a transformação. Os tempos mudam com muita rapidez. Um ano depois do final da guerra armava-se no horizonte o conflito nuclear. Russos e norte-americanos procuraram cientistas alemães sem olhar para sua filiação ideológica. O programa espacial, que deu origem a NASA, nos Estados Unidos, foi baseado em estudos desenvolvidos por alemães, com Von Braun à frente. Ele criou a V2 que destruiu parte de Londres. A União Soviética explodiu sua primeira bomba atômica em 1949. Alemães também trabalharam naquele projeto. Deixou de ser relevante ter sido nazista ou cometido crimes de guerra.

A confusão política neste momento no Brasil é muita. A velocidade dos fatos é impressionante. O Tribunal Superior Eleitoral decidiu tirar do poder o governador do Amazonas José Melo, do Pros. E também o vice Henrique Oliveira do Solidariedade. Os dois são acusados de abuso do poder econômico nas últimas eleições. É claro que o tribunal sinaliza para o que poderá acontecer com o julgamento da chapa Dilma/Temer que se beneficiou fartamente de recursos fornecidos pelas grandes empreiteiras do país. Mais uma tremenda dor de cabeça para o governo Temer, que não economiza problemas. Além disso, ou por causa deles, tem baixíssima aprovação na opinião pública.

Temer: 14 meses para reformar o Brasil

Para jornais e jornalistas, baixos índices de aprovação na opinião pública é apenas uma notícia. Para quem trabalha dentro do Palácio do Planalto é uma crise constante. O pessoal que responsável pela divulgação opera em pequeno espaço para recuo ou negociação. O tempo é curto. E o presidente Temer decidiu que quer entrar para a história como o governo que, em curto prazo, realizou as principais reformas estruturais na organização do Estado, no Brasil. Ele não será candidato à reeleição. Então, dedica-se absoluta e completamente à aprovação das reformas. É ainda, mais dramática a equação porque o governo, na prática, terminará em algum momento de julho do próximo ano. As convenções partidárias vão indicar os candidatos para Presidência da República, Senado e Câmara.

Ou seja, o governo terá vida e importância até julho de 2018. Algo como 14 meses. Isso explica a pressa de Temer em realizar reformas. Ele pretende assumir a dimensão da história. O bombardeio proporcionado pela operação Lava Jato não o alcança. E se atingir colaboradores, eles serão exonerados. Assim que as reformas forem aprovadas, o chefe do governo poderá desligar a emergência, compor o Ministério de seus sonhos e deixar as águas rolarem debaixo de sua ponte. E até apoiar o candidato que desejar. Este é o plano. Se tiver sucesso com a reforma trabalhista e a previdenciária, o resto virá por gravidade. Embora tenha baixíssimo apoio popular é um governo presente no Parlamento. Aí reside sua força.

Efeitos da Lava-Jato

Ao contrário, se não aprovar as reformas ele tende a perder substância. Vai correr riscos. Mas, os investidores e o grande capital, querem desfrutar um pouco de paz. A disputa entre Procuradores da República e Ministros do Supremo poderá expor as fragilidades dos dois lados. Elas existem. O clima de inquisição vai levar todos para a fogueira. Não serão muitos os inocentados e, alguns, com culpas menores também vão arder nos autos de fé. Não há um momento em que a Lava Jato vai concluir seus trabalhos. O cenário vai se modificar.

Há indícios de que os serviços de informações norte-americanos continuam a bisbilhotar a política brasileira. Faz sentido. É difícil entender o que vai acontecer no Brasil nos próximos anos. Deve haver gente em Washington perplexa com tantas e tão variadas informações. E a extensão da roubalheira que se implantou por aqui. O governo Temer vai continuar com seu foco nas reformas. E apenas nisso. Se for bem sucedido, ótimo. Se não, nem os melhores analistas da National Security Agency (NSA) conseguirão antecipar os próximos tempos.