Na semana passada, a Venezuela decidiu formalizar sua saída da Organização dos Estados Americanos (OEA), o principal e mais antigo mecanismo de consertação política do hemisfério. Depois de trabalhar para eleger o seu Secretário-Geral que fora chanceler do Uruguai sob governo esquerdista, Caracas vê o jogo perdido e abandona o mecanismo para não ser punida.

Nicolás Maduro e o regime chavista estão cada vez mais isolados. Os protestos na Venezuela não cedem apesar da forte repressão. Aliados estão abandonando o barco de um regime que se afunda e pode acabar em poucas semanas. Havana já deu o sinal e se Cuba sabe que as coisas são irreversíveis, então é hora de se pensar o futuro do país.

Enquanto isso, países como o Brasil mantém uma postura exageradamente cautelosa. A emissão de notas e comunicados há tempos não produz qualquer resultado. A Venezuela necessita urgentemente de pontes. De alguém que tenha capacidade de convergir posições em torno de algum tipo de reconciliação.

À beira do colapso

Com cerca de 32 milhões de habitantes, o país está à beira de um colapso total. Talvez, próxima de uma matança dessas nunca antes vista na história. Em grande medida, fruto de alianças mal concebidas, ideologização exacerbada e um nível de corrupção de fazer inveja aos políticos brasileiros.

Neste 1º de maio, o Papa Francisco pediu diálogo. Cobrou que oposição e governo voltem a buscar o entendimento para evitar-se o pior cenário. O mesmo Papa que há alguns meses, decidiu abandonar o papel de mediador por considerar absolutamente impossível dialogar com um regime tão radical. E Francisco foi além ao criticar a incapacidade da oposição em se organizar. O que o Papa disse no Dia Internacional do Trabalho, tenho dito há meses.

Opositores buscam intervenção internacional

A cada 15 dias aterriza em Brasília ou São Paulo algum membro da oposição. Normalmente, veem criticar o governo e os próprios aliados. O Brasil sente que não há coesão entre os oposicionistas e o ministro Aloysio Nunes que já fora acusado de fazer corpo mole por seu DNA supostamente comunista, está apenas perdendo a paciência. Como ajudar, se não se ajudam os venezuelanos?

Na semana passada, esteve em Brasília a advogada Tamara Suju, a mesma que apresentou denúncias pesadas contra o regime chavista ante o Tribunal Penal Internacional (TPI). Apesar dos dados alarmantes que trouxe e das revelações que fez, sua presença não conseguiu sensibilizar a essência do Parlamento brasileiro.

Quatro deputados assistiram à sua apresentação. Outra demonstração de que a crise venezuelana está cansando. E esse cansaço deve-se ao fato de que o “mais do mesmo” continua reinando. O Brasil é um dos principais atores globais, país emergente e membro dos BRICS, onde poderia tratar do tema com Rússia e China, aliados incondicionais da Venezuela bolivariana. No entanto, essa força não se converte em ações e sem ações, resta esperar pelo banho de sangue.

Para evitar a suspensão ou expulsão da OEA, a Venezuela abandona o jogo aos 48 do segundo tempo. Pode vir a fazer o mesmo no MERCOSUL, não se sabe ao certo. Talvez o tenha feito há tempos, vá saber! Por outro lado, Caracas continua ganhando tempo e Maduro vai empurrando com a barriga para ver se chega pelo menos até o final do mandato.