Pesquisa divulgada nesta segunda-feira, 1º, pelo Datafolha revela uma forte desaprovação da opinião pública à agenda de reformas do governo Michel Temer. Esse pessimismo em relação as necessárias modificações nas áreas previdenciária e trabalhista pode ser explicada pelos seguintes fatores:

  1. Como a melhora nos indicadores econômicos ainda não é percebida e o noticiário continua marcado majoritariamente por temas relacionados ao combate à corrupção, há um mau humor quase automático da opinião pública. A combinação desses fatores com a baixa popularidade do governo amplifica a reação negativa às reformas, que são naturalmente impopulares por mexer nos interesses de muitas corporações;
  2. Apesar dos esforços realizados pela equipe econômica em falar sobre a necessidade de reformas, sobretudo a da Previdência, o governo ainda não conseguiu eficiência na comunicação com a sociedade. Como consequência, prevalece a leitura superficial feita por sindicatos de trabalhadores e corporações do serviço público de que as reformas representarão “perde de direitos”;
  3. Em que pese os esforços realizados pelo presidente Michel Temer, o governo também tem sido pouco eficaz na comunicação dos benefícios da reforma Trabalhista e da Lei da Terceirização. Também contribui para essa avaliação a histórica visão: mudanças na legislação trabalhista “prejudicam os trabalhadores”.

71% são contra a reforma da Previdência

O Datafolha captou uma forte rejeição da opinião pública à reforma da Previdência. Segundo a sondagem, sete em cada dez brasileiros se dizem contrários ao tema (ver tabela abaixo). Apenas pouco mais de 20% dos entrevistados são favoráveis a reforma.

A reforma da Previdência é amplamente desaprovada por homens (69%) e mulheres (73%). Atinge todos os graus de escolaridade: fundamental (64%), médio (73%) e superior (76%). É também igualmente rejeitada por todas as faixas de renda: até dois salários mínimos (70%), mais de dois a cinco salários (74%), mais de cinco a dez salários (68%) e mais de dez salários (65%).

O tema mais criticado na reforma previdenciária é o aumento do tempo de contribuição. Segundo o Datafolha, 40% dos entrevistados são contrários a contribuição de 40 anos exigida para receber a aposentadoria integral; 27% se opõe à idade mínima de 65 anos para homens; 25% não querem a idade mínima de 62 anos para mulheres, enquanto 23% vetam todas essas propostas da reforma.

A rejeição ao aumento do tempo de contribuição pode ser explicada pela avaliação de que “os brasileiros se aposentam muito tarde”. Segundo o Datafolha, apenas 8% dos entrevistados acreditam que se aposentam mais cedo que deveriam. A maioria (52%) acha que se aposenta mais tarde que deveria, enquanto 31% entende que se aposenta na idade adequada.

A notícia positiva para o governo é que a maioria dos entrevistados são contrários as regras diferenciadas para os servidores públicos. Para 58%, os militares deveriam ter as mesmas regras; 55% acreditam no mesmo em relação aos policiais, e 54% tem idêntica opinião sobre os professores.

Maioria acha que reforma Trabalhista beneficia os empresários

Há uma oposição da opinião pública também em relação a reforma Trabalhista. Segundo o Datafolha, para 58% as mudanças na legislação representarão menos direitos para os trabalhadores. 21% responderam que terão os mesmos direitos de hoje, enquanto apenas 11% acreditam que terão mais direitos.

Um dado negativo para o governo é que 64% dos entrevistados avaliam que os empresários serão os maiores beneficiados pela reforma Trabalhista. Somente 21% acreditam que serão os trabalhadores os maiores beneficiados com a reforma.

Por conta dessa percepção, 60% dos entrevistados preferem que as condições de trabalho sejam definidas por lei. Apenas 30% apoiam a livre negociação entre empresários e trabalhadores (30%).

A Reforma Trabalhista, já aprovada pela Câmara, começa a ser analisada pelo Senado nesta semana.