Tornou-se mantra do pessimismo dizer que Michel Temer cede fácil nas negociações e por isso comprometerá a Reforma da Previdência. Conclusão apressada. Mesmo diante de graves obstáculos, o presidente já deu demonstrações de habilidade como gestor de crises em temas importantes da agenda. Temer estancou em menos de uma semana um dos momentos de maior adversidade que seu governo enfrentou.

A Polícia Federal prendeu acusados de corrupção e fraude no agrobusiness, um dos ramos de negócio que o Brasil lidera no mundo. A Operação Carne Fraca revelou-se uma lambança, mas antes que os personagens da confusão fossem dormir, o presidente já havia marcado para o dia seguinte um jantar numa churrascaria com embaixadores estrangeiros. O objetivo era levá-los a convencer alguns de seus governos a voltar atrás no cancelamento de compras que haviam determinado.

Imediatamente o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, o mais convincente especialista brasileiro no assunto, começou a desmontar os erros e excessos cometidos pela incompetência das investigações e ações policiais açodadas.

Tom de voz adequado e boa capacidade de argumentação de Temer completaram o serviço. Grandes importadores voltaram atrás.

Vida dura para tucanos

Mau momento para os tucanos, a começar por um dos principais candidatos à presidência da República, senador Aécio Neves. Há uma semana ele é obrigado a conviver com a denúncia, feita pela revista Veja, de que recebeu depósito relativo a propina na conta de sua irmã, Andrea, em Nova York. A revista não identificou nem conta nem banco, e o senador reagiu com um discurso contido, pedindo a quebra de sigilo da delação que inspirou a matéria.

Aécio amargou outro contratempo com a verdadeira celebração de mídia que marcou os cem primeiros dias de mandato de João Doria, prefeito de São Paulo, arrastado pelas especulações de que substituirá Aécio Neves e Geraldo Alckmin como candidato do PSDB à sucessão em 2018. Segundo pesquisa do Datafolha, 43% dos paulistanos apoiam sua gestão.