A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em conceder mais prazo à defesa da chapa Dilma-Temer e ouvir novas testemunhas, embora tenha deixado mais imprevisível o desfecho desse julgamento, deu fôlego ao presidente Michel Temer.

Temer tem ao seu favor o fato de não haver prazo determinado para que o julgamento no TSE seja retomado. Além disso o presidente indicará dois novos ministros para o Tribunal, pois Henrique Neves e Luciana Lóssio, indicados pela ex-presidente Dilma Rousseff, terão seus mandatos encerrados na segunda quinzena de abril e na primeira de maio, respectivamente.

Além do timing jurídico, as seguintes variáveis políticas jogam a favor da continuidade de Michel Temer na presidência:

ECONOMIA

A atividade econômica começa a dar sinais de recuperação. Como o mercado financeiro e setores importantes do empresariado estão satisfeitos com a condução econômica do país e a agenda de reformas, há o entendimento que a eventual saída de Temer aumentaria a instabilidade política, pois o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), assumiria o país pelo prazo de 90 dias para posteriormente ocorrer uma eleição indireta. Para se ter uma ideia da confusão, não há uma lei determinando nem mesmo quem estaria habilitado para disputar essa eleição indireta. Todo esse ambiente de incertezas contaminaria a economia. Outra questão importante, apesar dos problemas que o governo vive, o sistema político está mais satisfeito com Temer que estava com Dilma. Prova disso são as vitórias que o atual presidente tem obtido no Congresso.

COMPORTAMENTO DA OPOSIÇÃO

A agenda impopular de reformas que Michel Temer está defendendo cria como efeito colateral um discurso favorável ao ex-presidente Lula (PT), que sonha em disputar novamente o Planalto em 2018. Aliás, não é por acaso que Lula e o PT começaram a abandonar o discurso do golpe, apostando agora numa agenda de oposição as reformas defendidas com Temer. Por trás disso está o objetivo de fortalecer ainda mais o capital político que o ex-presidente possui nas regiões Norte e Nordeste, e entre o eleitorado de baixa renda e escolaridade.

BAIXA PRESSÃO DAS RUAS

Mesmo sendo um presidente com baixa popularidade, há o entendimento que Michel Temer assumiu o país numa situação muito ruim. Assim, mesmo nao sendo o presidente preferido da opinião pública, não há pressão nas ruas em favor de sua saída.

Por conta do timing jurídico do processo do TSE e também pelas variáveis políticas descritas, é remota a possibilidade de Michel Temer sair do Palácio do Planalto antes de 2018. Esse cenário só deve ser alterado caso apareça algum fato novo relevante contrário ao governo, aumentando nesse caso a pressão da opinião pública sobre o TSE.