João Dória estabeleceu um novo ritmo para a comunicação política. Talvez por tratar-se de um empresário com conhecimento em comunicação, entendeu que não há motivo para estabelecer distância dos eleitores e, com frequência, usa redes sociais com frequência para disseminar suas práticas na gestão do município de São Paulo.

Provavelmente o prefeito está de olho na sua candidatura em 2018 ao governo do estado ou até mesmo para a presidência da república. A escolha da disputa dependerá do cenário político que deve se desenhar até o final deste ano.

Até última eleição os partidos indicavam seus candidatos no primeiro semestre do ano eleitoral. Alguns chegaram a ser definidos no último dia permitido, a poucos meses da votação.

Esse fenômeno parece ter ficado no passado. Os resultados eleitorais de 2016 mostraram que não dá mais para deixar para a última hora. É preciso definir os candidatos o quanto antes para que possam ter exposição necessária de forma a permitir sua ascensão.

É sempre bom lembrar que com as mudanças na legislação eleitoral –  que encurtou o período da campanha, mas abriu as portas da comunicação dos políticos para que se façam presentes durante todo o tempo – a eleição está logo ali, é quase na semana seguinte.

Cursos de Marketing e Comunicação PolíticaEsperar pelo período eleitoral para botar o bloco na rua pode custar muito caro aos candidatos. Estreantes como Dória, mas que possuem alto grau de reconhecimento público, podem tirar estrelas do páreo, por mais histórico e apoio partidário possuam.

Importante também ressaltar que o eleitor mudou. Não quer mais a comunicação enlatada, nem candidato artificial sem opinião sobre temas polêmicos. O eleitor que ver alguém de verdade. Que não divulga apenas os acertos, mas que também sabe mostrar o que aprendeu com seus erros.

Os novos representantes do povo na política

Como o prefeito de São Paulo não tem os vícios da velha política, mesmo vaidoso, não se incomoda de vestir roupa de gari ou de atendente de lanchonete para passar a mensagem que quer. Medalhões nunca se proporiam a isso, pois cresceram em uma redoma de poder que não admite tal manifestação.

Fora do Brasil o exemplo é Obama, evidentemente. Nem mesmo a avaliação regular de sua gestão produzia danos na sua imagem enquanto presidente.

Obama, aos olhos do americano médio, era seu representante. Era o sujeito que cumprimentava a todos enquanto sorria, que fazia graça ao pregar peças em algum assessor, mas que falava duro quando precisava. Obama não era o presidente dos Estados Unidos da América, era a esperança de dias melhores. Se houvesse possibilidade de reeleição, provavelmente seria reeleito.

É esse tipo de comunicação que os candidatos de 2018 devem estruturar. Dória está produzindo, mesmo que de forma acelerada, a imagem de um prefeito que põe a mão na massa, que inova, que não tem medo de comprar briga pelo que quer.

Outros candidatos terão que seguir essa linha se quiserem ter chance eleitoral. Qualquer campanha feita no modelo de repetição de propaganda, sem a construção de um conceito de comunicação, não será competitiva caso encontre um adversário competente e preparado para esse novo cenário.

Os meios de comunicação no cenário eleitoral

Os avanços nos meios de comunicação sempre produzem efeitos no cenário eleitoral. A mídia impressa proporcionou a propagação de mensagem. O rádio fez com que a informação chegasse mais longe e àqueles que não sabiam ler. Depois a televisão entrou nos lares, dando forma aos sons.

Até a internet surgir, para que algo fosse disseminado havia uma barreira financeira muito grande. Gráficas, emissoras de rádio e emissoras de televisão custam muito dinheiro, enquanto blogs e redes sociais não.

Essa mudança nos meios fez mais do que abrir uma porta nova, possibilitou a manifestação individual, o agrupamento de indivíduos com os mesmos objetivos e tornou as pessoas menos dispostas a aceitar o conteúdo propagado pelos demais meios.

Os eleitores não têm mais a mesma confiança que tinham na mídia tradicional. A eleição de Marcelo Crivella para prefeitura no Rio de Janeiro é prova disso. O candidato teve uma foto de sua prisão estampando a capa da revista Veja, uma semana antes da votação. Também foi alvo da rede Globo em seus jornais. Em um dos casos, quando Crivella se recusou a ir em uma entrevista, a apresentadora do RJTV fez todas as perguntas à uma cadeira vazia buscando construir uma imagem antidemocrática do candidato.

Nos Estados Unidos Donald Trump também foi massacrado pela mídia, que explorou as declarações polêmicas do candidato à exaustão.

Vale lembrar que Dória, Obama, Crivella e Trump são figuras midiáticas. Agora, todos que tiverem intenções para 2018 também deverão ser ou serão engolidos por candidatos que são.