A avaliação do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) de que o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) estaria tentando controlar o governo Michel Temer evidencia o descontentamento do “PMDB do Senado” com o aumento da influência do “PMDB da Câmara” no Palácio do Planalto.

Com esse movimento, Renan lidera uma reação da bancada do “PMDB do Senado” à perda de espaço no governo para o PSDB e para deputados ligados a Cunha, como André Moura (PSC-SE), escolhido líder do governo no Congresso, Osmar Serraglio (PMDB-PR), que foi chefiar o Ministério da Justiça, e Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), agora líder do governo na Câmara.

Pelo raciocínio de Renan Calheiros, o passo seguinte do grupo de Cunha seria levar o subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha, para o comando da Casa Civil. Não por acaso Renan defendeu o retorno, o mais rápido possível, do ministro Eliseu Padilha (PMDB-RS) para a pasta.

Além do aumento de poder no governo, incomoda Renan o suposto desejo do “PMDB da Câmara” de controlar o PMDB nacional, hoje presidido pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Recentemente, Carlos Marum (PMDB-MS), presidente da Comissão da Reforma da Previdência e definido por Renan como porta-voz de Cunha, e mais três deputados divulgaram uma carta pedindo uma reunião da executiva do PMDB para analisar uma moção cujo objetivo seria afastar indiciados na Lava-Jato de cargos de direção no partido.

Nos bastidores, esse movimento foi interpretado como um desejo dos deputados peemedebistas de presidir o partido e, assim, controlar a verba do fundo partidário. Como o financiamento privado está proibido, ter acesso aos recursos do fundo será fundamental para custear as campanhas eleitorais dos candidatos do PMDB em 2018.

O temor dos deputados é que os 14 senadores peemedebistas que concorrerão à reeleição fiquem com a maior parcela dos recursos. Vale registrar que hoje quem ocupa o cargo de tesoureiro do PMDB nacional é o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

Ao “atirar” em Eduardo Cunha e relatar uma suposta disputa entre o grupo do ex-deputado e o PSDB pelo controle do governo, Renan está mandando recado ao Planalto: quer mais espaço e poder para o “PMDB do Senado”.

Nesta semana, haverá um jantar entre o presidente Michel Temer e Renan a fim de distensionar o clima no PMDB. Apesar das divergências, Temer e Renan devem se acertar, pois um depende do outro politicamente.

Renan precisa do bom relacionamento com Temer para ter mais espaço no Planalto. Já Temer, precisa da influência de Renan no Senado para aprovar a Reforma da Previdência, por exemplo. Vale lembrar que essa não é a primeira vez que Renan critica o governo.

Além de buscar mais espaço para o “PMDB do Senado”, Renan se posiciona para 2018, quando será candidato à reeleição para a Casa. Por isso precisa manter protagonismo e influência em Brasília, principalmente porque não dispõe mais da presidência do Senado como palanque.