Todos os dias a mídia produz avaliações catastróficas sobre o futuro do governo Temer. Em geral, elas estão baseadas no cenário nebuloso sugerido pelas delações feitas à Operação Lava-Jato e na falta de reação da economia às medidas editadas para enfrentar a recessão.

No caso da Lava-Jato, há pouco a fazer além de esperar, com o atenuante de que a maioria dos políticos implicada incide na mesma falta – uso de caixa 2. Sobre o mau desempenho econômico, todos estão de acordo em que antes do segundo semestre de 2017 não haverá boa notícia a comemorar.

A crise existe e é grave, mas é preciso levar em conta outros aspectos, em geral positivos, da atual conjuntura. O mais interessante deles é que o governo Temer tem na Câmara a segunda menor oposição dos últimos 20 anos – cerca de 90 deputados de cinco partidos, 17% do plenário. No Senado, de 81 integrantes, são menos de 20 parlamentares.

Em outras palavras, o presidente conta com uma das mais sólidas bases políticas desde o segundo mandato de Lula, o que lhe permitiu entregar uma agenda de dez temas relevantes de várias áreas, a maior parte deles relativa ao ajuste fiscal.

É verdade que há apreensão no mercado a respeito da garantia de aprovação de medidas futuras, como a Reforma da Previdência, mas até aqui Michel Temer cumpriu o que prometeu. Além disso, o ambiente político, ainda que tenso por causa do fator Lava-Jato, não está sob forte pressão das ruas, do Congresso e da mídia como ocorria nos últimos seis meses de Dilma Rousseff na Presidência.