Diante do aumento da incerteza do PSDB com o futuro do governo Michel Temer, o Palácio do Planalto trabalha para ampliar o espaço dos tucanos não apenas no que se refere a cargos, mas também no que tange à formulação política e, sobretudo, à economia.

De acordo com esse objetivo, o economista Armínio Fraga, próximo ao PSDB, e que chegou a ser anunciado como ministro da Fazenda pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) durante a campanha eleitoral de 2014, será ouvido.

Outro movimento em direção ao fortalecimento da aliança PMDB-PSDB seria a entrega a um tucano da Secretaria-Geral de Governo, pasta responsável pela articulação política com o Legislativo e que pertencia ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA).

Porém, como a articulação política é uma área que acumula muito desgaste, os tucanos têm resistência em assumir essa pasta. Com isso, existe a possibilidade do PSDB ocupar, a partir de 2017, o Ministério do Planejamento, que está com Dyogo de Oliveira (Sem partido), desde a saída do senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Como o Planejamento é uma pasta da área econômica, interessa ao PSDB, que deseja ter uma maior participação nessa área.

A preocupação do Planalto, assim como do PSDB, é com o ambiente econômico adverso, o que contribui para reduzir o apoio do mercado, da sociedade e, consequentemente, do Congresso, ao governo.

A sinalização de Michel Temer em direção ao PSDB, que, junto com o PMDB, é o principal partido de sustentação do atual governo, ocorre depois que os tucanos começaram a realizar avaliações pessimistas em relação ao futuro de Temer devido aos problemas políticos, econômicos e jurídicos, em função do processo contra a chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O que também preocupa o PSDB, assim como o mundo político de Brasília, é o teor da delação da Odebrecht, após a assinatura do acordo de delação premiada no âmbito da Lava-Jato.

Nesse conturbado cenário, até mesmo o nome do ex-presidente FHC começou a ser ventilado como opção para uma eventual eleição presidencial indireta no Congresso, a partir de 2017.

Apesar do pessimismo de alguns setores do PSDB com o governo Temer, é pouco provável que os tucanos deixem a base aliada. Além de os tucanos terem apoiado o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e, portanto, terem responsabilidades com o atual governo, abandonar Temer agora contribuiria para ampliar a instabilidade no país, o que desgastaria igualmente os tucanos.

Por trás dos movimentos do PSDB está uma busca por mais protagonismo no atual governo, sobretudo nas questões econômicas. Aliás, essa maior aproximação é algo que interessa à cúpula nacional do PSDB e também ao PMDB.

Ampliando a presença no governo, o senador Aécio Neves e seus aliados marcariam uma importante posição frente ao governador de São Paulo (SP), Geraldo Alckmin (PSDB), que saiu fortalecido das eleições municipais de outubro. Vale lembrar que, diferentemente de FHC, de Aécio e do chanceler José Serra, Alckmin trabalha numa agenda de maior distanciamento em relação a Temer visando 2018.

Assim, ao ocupar mais espaço na Esplanada e na formulação da política econômica, o PSDB olha também para a correlação de forças internas. De um lado, Alckmin tem interesse em que o partido tenha um certo distanciamento de Temer. De outro, a cúpula nacional trabalha para fortalecer sua presença no governo como forma de ter mais protagonismo e abrir um importante canal de comunicação com o PMDB nacional visando 2018.

Com três pré-candidatos ao Palácio do Planalto (Geraldo Alckmin, Aécio Neves e José Serra), o PSDB depende que a economia emita sinais de recuperação para que seus objetivos políticos de 2018 não sejam prejudicados. Por isso a preocupação dos tucanos com a demora na retomada do crescimento e na redução do desemprego, fatores que contribuem para que o clima de pessimismo continue elevado.