A posse do novo ministro da Cultura, Roberto Freire foi uma sequência de quebras de protocolo. A cerimônia foi fechada e o presidente Michel Temer não agradeceu o trabalho do ministro anterior, como é de praxe. Também mencionou o nome de Marcelo Calero, ex-titular da pasta e referiu-se a ele como “outro companheiro”. O incômodo vem da saída de Calero que pediu demissão e acusou Geddel Vieira Lima, Secretário de Governo, de pressioná-lo a liberar uma obra embargada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Familiares de Geddel atuam como representantes do empreendimento La Vue junto ao órgão. Temer em seu discurso exaltou a confiança em Freire:

“Nós temos hoje a absoluta certeza de que o governo federal está ganhando muito. E se o governo federal foi bem até agora, a partir do Roberto Freire vai ganhar céu azul, velocidade de cruzeiro e vai salvar o Brasil”, disse.

Em entrevista, Freire disse que não sabia que a cerimônia seria fechada. Afirmou que pretende conversar com Calero para dar continuidade a iniciativas da gestão anterior. O novo ministro afirmou também que manterá Kátia Bogéa na presidência do Iphan. (Folha)

Comissão da Câmara rejeita convocação de Geddel

O requerimento para que o ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) fosse convocado para explicar a acusação de tráfico de influência, na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, foi derrubado por 17 votos a 3. A base aliada demonstrou novamente o apoio que o Planalto já havia dado a Geddel ao mantê-lo na pasta. Marcelo Calero, ex-ministro da Cultura e acusador de Geddel no caso do Edifício la Vue, em Salvador, também foi dispensado do requerimento em votação simbólica. Os três votos a favor foram de deputados do PT: Adelmo Leão (MG), Paulão (AL) e Jorge Solla (BA), que apresentou o requerimento. O resultado da votação alterou os ânimos entre Wladimir Costa (SD-PA) e Paulão (PT-AL) que trocaram impropérios na sessão. (Estadão)

Delação da Odebrecht será assinada hoje

Marcelo Odebrecht e mais 60 funcionários da empreiteira investigada na Operação Lava Jat, começaram a assinar hoje os acordos de delação premiada com procuradores da República de Brasília e de Curitiba. A negociação dos acordos se arrasta desde o início do ano e há muita expectativa acerca do conteúdo deles. As informações podem colocar em cheque o sistema de financiamento político do país. Acredita-se que os documentos contenham acusações contra líderes de todos os grandes partidos da base governista e da oposição. Pelo menos 130 políticos, entre deputados, senadores, ministros, ex-ministros e no mínimo, 20 governadores e ex-governadores. O grupo Odebrecht também está negociando acordos de leniência no exterior. (O Globo)