1. A base política do governo Temer conquistou mais de 4,7 mil prefeituras em 5.568 municípios.

2. A mensagem antipolítica é mais forte nos grandes centros, como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

3. O PT foi, de longe, o maior derrotado. Rebaixado a partido médio no primeiro turno, a tendência se confirmou no segundo.

4. No Rio de Janeiro, celebridades foram derrotadas. Apesar da campanha aberta de artistas e colunistas em favor de Marcelo Freixo, a cidade preferiu o conservador Marcelo Crivella.

5. O fim das doações empresariais e a imposição do limite de gastos nas campanhas foram muito positivos.

6. O segundo turno foi bem menos violento, como seria natural. Menos cidades envolvidas. Mesmo assim, a tranquilidade destacou-se.

7. O fato de não ter havido nacionalização em torno de Michel Temer, cujo não foi julgado, resultou numa vitória para ele.

8. Os vencedores foram os favoritos apontados nas pesquisas dos institutos, que dessa vez atingiram alto percentual de acerto.

9. O PT perdeu todas as sete disputas – entre elas, apenas uma capital – das quais participou no segundo turno.

10. Nas 57 cidades onde houve segundo turno, só uma mulher saiu vitoriosa: Raquel Lyra (PSDB), em Caruaru (PE).

Urnas apoiam aliança de Temer com tucanos para votar ajuste

O PSDB foi o grande vencedor da eleição, confirmando o êxito que obteve no primeiro turno. Conquistou o maior número de prefeituras no G-92 (28), governará a maior população eleitoral nesse grupo de municípios (20.3 milhões). Entre os grandes partidos, é o que mais cresceu (87%).

Com isso, dois de seus pré-candidatos a presidente da República – Geraldo Alckmin e Aécio Neves –, que obtiveram vitórias expressivas, em nível municipal e nacional, são os dois tucanos mais beneficiados pelo extraordinário desempenho do PSDB, o melhor entre os partidos dos últimos 16 anos.

O presidente Michel Temer vem logo depois dos tucanos, na condição do líder de uma base aliada que dominará 85% dos municípios. Tal desempenho fortalece seu nome como presidenciável do PMDB e respalda a votação de sua agenda de reajuste fiscal, à base de medidas impopulares.

A maior queda foi a do PT (94%), perdeu 16 prefeituras e elegeu apenas um prefeito nas cidades mais populosas.

O desafio de Crivella

Os eleitores do Rio de Janeiro enfrentarão dificuldades. A eleição de Marcelo Crivella, com 59,36% % dos votos válidos contra Marcelo Freixo, ocorreu sem participação de 46,8% dos eleitores, que se abstiveram ou votaram nulo e em branco.

Esse percentual significa forte desaprovação aos dois candidatos, que representavam opções radicalmente opostas à direita e à esquerda. Além do constrangimento da parceria com um estado quebrado, deverá enfrentar forte oposição da mídia, além das restrições à sua ligação com a Igreja Universal do Reino de Deus.

Responsabilidade Fiscal

A vitória de candidatos comprometidos com a responsabilidade fiscal são sintoma da preferência dos eleitores. No primeiro turno, os vitoriosos mais importantes tinham esse perfil – ACM Neto, em Salvador, foi reeleito com 73,92% dos votos, e João Doria Júnior, derrotou o PT com 53,29%. No segundo turno, podemos destacar o tucano Nelson Marchezan Júnior em Porto Alegre.